Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

Um aparte.
Ao rememorar fatos constrangedores, a dor se faz presente. Para afugentá-la, é necessária uma rápida mudança nos pensamentos. Assim procederei, apontando alguns cacófatos e aberrações do vocabulário que tenho observado por apresentadores na televisão, propagandistas e muitos dos que se dizem eruditos. Não compreendo o porquê de não bem utilizarem o nosso idioma, imensamente rico e variado. Se o fizessem, estariam mostrando respeito aos mestres e contribuindo com os que poucas chances tiveram de estudar, como eu. Confiram:

Pisiquiátra. Conequitá. Abisolutamenti. Bocadela. Pegô cuma mão. A genti fomus. Entrô pra dentro. Saiu pra fora. Fiquiticio. Subiu pra cima. Liquificador. Adivogadu. Isprimentá. Uma mala. Comprendu. Comé qui foi? Opição. Poblema! Num tô. Qui aconteceu genti? Nada! Caiu pra baixu i assassinô u vernáculo. E tome genti i qui qui pra variá, né? Puis é.

 

A PROPOSTA.

 

Minha filha atingira 18 anos. O "manda-chuva" não mais trabalhava no club, todavia, nossa reserva financeira havia progredido.

Uma tarde ao chegar, comenta haver recebido uma proposta para tentar a vida num povoado ao Norte do país, onde acorriam inúmeras pessoas, visto que, o desbravar da floresta amazônica era convidativo para evoluir economicamente. Argumenta que eu e minha filha poderíamos subsistir com os juros do numerário que emprestara. Meu aniversario estava próximo e Darcilio comprometeu-se a voltar para a data, quando dissertaria sobre as possibilidades encontradas ou não. Meses se interpuseram e sua ausência era gritante. Apenas telegrafava pedindo que eu tivesse paciência, uma vez que tudo corria bem. Sim, bem... para ele. No percebimento de que não estaria de volta tão brevemente, coloquei a garota na escola de ballet, que ela tanto almejava e "senhor" patriarcalista proibira. Não pude realizar meu sonho, porém, consegui efetuar o dela, e não de hoje zela seu conhecido estúdio de dança. Darcilio apenas soube, quando... "tarde demais."

 

ALTAMIRA.

 

Pará.
Os meses sucumbiam, enquanto que meu marido, nada de aparecer. Entretanto, telefona dizendo que eu ainda não poderia ir por não haver lugar adequado, sendo o calor, insuportável. Também, que me avisaria para nos encontrarmos. Eu lhe escrevia diariamente reclamando sua falta e pedindo que viesse ao menos, "visitar-nos." Seria tanta a insensatez, ao estranhar sua ausência? Meu Amor por ele era tórrido, o que me fazia crer que se modificara. É difícil compreender?

Naquele vai-da-valsa, finalmente recebo instruções de como chegar até lá, dado a que o hotel já se encontrava terminado. Eu deveria viajar de avião e assim o fiz, deixando minha filha até meu regresso, aos cuidados da avó. Praticamente a mocinha já vivia com ela, o que me fazia sentir uma solidão ainda maior.

Horas após chego a Belém. Darcilio me aguardava no aeroporto. Outra viagem e chegamos a Altamira, um povoado de areias brancas e calor sufocante. O hotel, construído de madeira rica (mogno), era acolhedor e propício aos que não costumam dormir sobre redes. A mim, coube passar as tardes no quarto, transpirando e tomando seguidos banhos, na tentativa de relaxar e aliviar o corpo. Ao entardecer sentava-me frente ao estabelecimento, e extasiada, observava a beleza das noites que exibiam um céu conexo de estrelas luzidias.

Darcilio mandara edificar ao lado, um posto de gasolina que uma famosa companhia lhe dera a concessão. Fiquei poucos dias naquele lugarejo, pela preocupação com minha filha que ainda estudava, e era a mim que recorria para custear suas despesas. Meses decorriam e meu marido não mostrava ensejos de retornar. Chorosa, escrevia pedindo para ir novamente ao seu encontro, até que; consente. Vou, e passo outros poucos dias por lá.

Desta forma, o tempo dava seguimento ao seu interminável caminhar, até que Darcilio se digna a vir, quando em prantos e desesperada, comento por alto através de um telefonema, que sua presença se fazia extremamente necessária, devido a que... (peço escusas aos leitores, por não minudenciar o brutal ataque que sofri). Mesmo detalhando, mostrando as provas do sucedido e sabendo quem foi o responsável (que ele conhecia), Darcilio insistiu em que eu havia sonhado! Que se pode esperar de um ser despido de escrúpulos? O que recebi! E retornou para sua paixão: $$$.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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