Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

 

E O DESTINO TRAÇOU!
José Alfredo Teruggi.
Um segundo paranormal.

Durante o regresso, não entendia o porquê de me sentir envolvida por uma alegria interna de segurança e proteção.

Era inverno e o frio naquele país é de congelar até pensamentos, então, os meus deveriam estar assim.

Um sábado, ele, eu e uma das “filhas” fomos a um pequeno bar dançante. Ainda pensativa nos recentes acontecimentos da separação, lutava por olvidá-los.

José, por mais que o incentivasse mostrando as lindas garotas, não se animava a bailar. Eu sabia que era “travesso“ com as moças, mas ali, mostrava-se neutral! De soslaio, olhava para ele que seguia indiferente para o que acontecia ao redor. Em dado momento tomo das suas mãos e pergunto se algo o preocupava. Sem me fitar responde estar bem e assovia a melodia tocada. Na próxima, convida minha “filha” para dançar. Observando-os me vem à idéia que poderiam casar. Acreditei que uma ajuda iria bem.

Alguns dias depois toco ligeiramente no assunto com ele que se retrai, dizendo que gostava dela como se fora sua irmã e nada mais. Insinuo que talvez estivesse pendendo para a outra. Tampouco acertei.

A bela tarde se recostava para adormecer, quando fomos de carro visitar uns conhecidos que trabalhavam numa Fazenda. Nas proximidades do bairro onde vivíamos (e vivo), outro era comentado pelas bonitas residências que estavam sendo construídas. Antes de rumar para casa resolvemos conhecê-lo. Demos umas voltas e o carro enguiçou. José o deixa funcionando e volta a sentar-se a meu lado, enquanto limpava as mãos. Olhamo-nos e; em frações de segundos como se houvéssemos combinado, houve uma aproximação inexplicável (naquele então) e um suave roçar de lábios, aconteceu entre nós!

De imediato retomo a direção e regressamos para casa, ambos no silêncio dos pensamentos, onde os meus, eram na indagação de como tivera tal comportamento aleatório, principalmente para com quem eu sentia o mesmo que a um filho. Quis entender e não consegui. Uma vez mais, senti na vergonha, uma fiel companheira.

... dias e dias passaram, quando “confessa” estar enamorado e me propõe casar-nos! Surpreendida pelo imprevisto pensei: Será possível? Não pode ser que esses argentinos sejam todos loucos. Recém me separei e ele sabe que sigo Amando ao Querido. E a diferença de idade? (Eu 55 e ele 33 anos). Respondo que decidiria depois.

... falaria a respeito com os demais “filhos.” Na verdade, todo o grupo mantinha empenho a que me casasse o mais breve possível, para que findasse a tristeza que eu sentia.

... Teruggi (sobrenome que assim o designava) me seguia pela casa, enquanto eu arrumava as cortinas, cadeiras e bibelôs, sem que estivessem fora dos lugares, meditativa sobre qual atitude correta para um momento igualmente a outros, nada singular.

... sem mais delongas pego sua mão e o conduzo em direção ao meu quarto, apontando um dos lados da cama onde se acostaria, e outro banheiro em separado do meu, que poderia utilizar.

... pede licença. Com naturalidade despe parte das suas roupas e deita-se ao meu lado. Tapada até o pescoço, eu tremia.

... instruo que entrelace sua mão a minha, deixasse a mente em branco e não falasse. Era uma tentativa que intuí e confiava na resultante do fato desesperadamente almejado, que era novamente poder falar com as Individualidades. Mãos dadas, total silêncio e com firmeza, pedimos à Luz que Retornasse através da matéria daquele disposto “filho.” Os minutos pareciam arrastar-se e a ansiedade era nossa cúmplice. Não muito depois, Teruggi grita e vejo sua matéria elevando-se horizontalmente, a uma altura impossível ser conseguida de forma natural.

Eu e meu latejante coração entramos em aforismo, enquanto Teruggi seguia esbaforido, aos gritos, tendo seu corpo erguendo-se e voltando a cair. Eu o estimulava a continuar no intento pedindo que tivesse calma, e assegurando que nosso objetivo se concretizaria. Aos poucos ele voltou a quase normalidade. Trocamos informações do que vi e ele sentira. Exultante e entre lágrimas, confirmamos a proximidade das Individualidades.

Abafo meu pranto apoiando o rosto sobre o travesseiro, quando sinto os braços de Teruggi sobre meus ombros e beijos cobrindo meus cabelos. Viro-me e vejo que ele também chorava emocionado. Abraçamo-nos naquela alegria compartida.

O dia despontava e adormecemos embalados pelas emoções e imprevistos felizes. Contamos aos “filhos“ a novidade e o júbilo foi geral.

Chega à noite, e novamente tentamos a Incorporação que eu pressentia estar próxima. Mas, não deixava de pensar que outra vez, o passado abria suas portas para circunstâncias que levaram a entregar-me sem Amar. Surpreendentemente, meu Amor despertou inopinadamente.

 

 

A TRANSITÓRIA INCORPORAÇÃO.

 

28/11/1987.
As semanas corriam e persistíamos nas tentativas, em horários independentes. Sua matéria se desequilibrava e eu a amparava.

Desde o principio das Incorporações através de Querido, nunca foram precisos rezas, velas ou incensos. O único que nos pediram foi que mantivéssemos as mentes em branco e nos concentrássemos na Luz.
Teruggi me chamava carinhosamente por “Bichita” (Pronuncia-se Bitchita) e eu a ele: “Mi Amor.”

... sentados ao sofá da sala estamos conversando, quando ao virar para o lado, digo: “Mi Amor, sabes que...” e uma voz de timbre diferenciado e muito conhecido, diz não ser o Amor que costumava acolher-me em seus braços para que eu adormecesse. Coração aos saltos, olho e percebo que está sorrindo para mim. Choro convulsivamente e o abraço agradecida por haver-se manifestado, dizimando a angustiante espera. Em seguida apelo aos “filhos” pedindo que trouxessem um gravador, visto que, invariavelmente, eu gravava ou filmava até o menor dos respirares daqueles Seres Amados. A Individualidade pede-me calma, que não me preocupasse e que muito em breve retornaria para falar comigo. Manifesta-me seu Amor e imperceptível como chegou, deixou a matéria.

Teruggi volta a si e a alegria foi esfuziante. Falávamos ao mesmo tempo enquanto que as lágrimas percorriam nossos rostos felizes.

Não tardei em telefonar para nossos amigos e os aplausos se fizeram ouvir. Espalhada a notícia para o grupo que crescia e se mantinha firme, a exultação foi uníssona.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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