Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

O DESCALABRO.

 

14/07/1992.
Uma tarde estou com meu marido no Shopping, quando chegam dois amigos que chamam Teruggi em particular. Assusto-me pelas feições preocupadas, mas não me aproximo. Segundos após, comunicam-me que a polícia civil invadira nossa residência e a tudo reviraram na busca de um recipiente onde derramam sangue em rituais satânicos! Nada sendo encontrado, sem a menor justificativa, levaram preso um dos meus “filhos” que lá estava. Naquele dia e momento, maquiavélicos davam inícios as suas obscenas e premeditadas manobras.

Entrei em pânico e saímos à procura de um telefone para saber o motivo das arbitrariedades. De casa, minha “filha” fala com Teruggi -que tentava deixar-me sem conhecer os fatos- e comenta por alto os acontecimentos. Agarro o telefone e contato um advogado que eu conhecia desde seus tempos de estudante, avisando de que partiríamos imediatamente para lá. Ele é categórico na afirmação de que não voltássemos, pois nossas vidas não estavam garantidas. Meu terror aumenta e me impele tornar a casa, sendo impedida por meu marido que teimava em ir sozinho. Naquele desespero entremeado com tremores, falta de ar e sentindo-me a ponto de desmaiar, Teruggi se angustia e tenta convencer-me a ir a um hospital. Resisti, considerando que seria perda de tempo. Eu mal conseguia concatenar as idéias, e mesmo assim, encontrei forças para continuar. Minha vida, a casa e tudo que ela guardava de fonte material, naquele momento em nada me preocupava e sim, o “filho” que a polícia levara! Ao final de muito conjeturarmos, embora com rebeldia, acedi em acatar as instruções do advogado.

E o tumulto se havia generalizado com entra e sai de policiais, inclusive federais e militares. Como lógica de quem é praticante ativa e zelosa da honra, a nada do supostamente existente, foi encontrado.

Atribulada e ignorante do que gerara aquela confusão, peço ao advogado que interceda em favor do “filho” e que permaneça em casa, enquanto decidíamos o que fazer. Insistíamos em voltar, mas os “filhos” que de telefonema em telefonemas e a par de detalhes, intercederam, pois a cidade estava em polvorosa com mexericos e publicações invectivas contra nós. Aos poucos -receosos pela minha saúde abalada- me tornam ciente de que ...

 

O PADRE, A BARATA-DE-SACRISTIA E CUPINCHAS.

 

Da igreja próxima, o padre que a liderava, uma barata-de-igreja e demais seguidores, organizaram e levaram à prática uma passeata frente à residência onde se fixara a felicidade. A corja correligionária foi incentivada sem grande esforço e compareceu, cada qual mostrando suas “vestes” cristãs. Enfurecidos e aos berros, protestavam em acusações:

MALDITOS ASSASSINOS! BRUXOS DESGRAÇADOS!

Assim foi, que os religiosos (?) clamavam por nossas mortes, inclusive, arremessando bombas caseiras que por pouco não incendeiam a casa e pior, desprezando o pânico e apelos por socorro, oriundo dos moradores.

Fosse pouco, apareceu um alucinado residente nas vizinhanças, que sem dar importância a quem atingiria, disparou inúmeros tiros na direção da casa, estilhaçando vidros das janelas, paredes e perfurando peças do mobiliário que conservei como prova do atentado.

Toda aquela exaltação estará em concordância com os 10 Mandamentos do catolicismo? Não vestindo batina nem sendo de mau-pensar, coloco a hipótese de que tenham mudado os “estatutos” e estou desinformada. Soube depois, que o padre foi transferido e a “santa barata” sumiu!

Regredindo ao tema.
Teruggi que não ficara abandonado das Incorporações, em dado momento recebe um dos Seres que me acolhe carinhosamente, pedindo que me tranqüilize e mantenha confiança Neles. Para que os leitores possam compreender a extensão do que me foi dito diante dos amigos, teriam que haver participado nada menos de onze anos das Revelações, como aconteceu com os presentes.

E a polícia civil carregou milhares de missivas que eu guardava com carinho, dezenas de fotos tanto nossas quanto do grupo, vídeos onde ficavam gravadas as Incorporações e atentem: Uma roupa da minha minúscula cachorrinha e, um pedaço de pano manchado de tinta vermelha que Teruggi empregara para desfazer um risco na moto! Com desfaçatez, ao dia seguinte, via televisão e jornalística em lançamento factóide, fizeram crer tratar-se de veste e sangue de uma criança. Naquele caos, minha “filha,” advertida pelo advogado que retirasse da casa o que pudesse ser mal-interpretado, coloca no guarda-malas da rodoviária, uma valise com quatro ou cinco capas coloridas e capuzes que confeccionara às escondidas, pois o grupo preparava uma obra teatral (embate da Luz versus Trevas) como surpresa para mim. Diante da balbúrdia, um funcionário avisa a polícia sobre a guarda da maleta, que dispararam a retirá-la.

Meditativa, acredito que o mais criativo dos gênios, dificilmente conseguiria de ímpeto, escandalizar um fato simples de ser explicado, o que à mídia... não interessou. Assim, abriram publicidade a dezenas de nossas fotos agregadas a epítetos escandalosos.

Manchetes sensacionalistas, ABSOLUTAMENTE FALSAS E PUTREFATAS COMO AS MENTES DOS QUE AS IDEALIZARAM, garantiam “serviço cumprido” e rendiam o cobiçado metal para os jornais, revistas e aos diabólicos que a tudo maquinaram.

Por outro lado, policiais encapuzados e portando armas de vários tipos foram fotografados, sendo atribuído a nós, todo aquele aparato.

É propícia a frase de Jesus:
“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.”
Evangelho segundo S.João. Cap. 8. Vers. 44

Percebam que Jesus não Se referiu a: meu pai, e sim: vosso pai.

 

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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