Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

ENTREVISTA COLETIVA.
Curitiba.

 

Em virtude do tardio da noite, não havia vôo de Porto Alegre para Curitiba. Coincidentemente (?), surge um senhor perambulando por ali, que trabalhava com fretes particulares e o contratamos.

No pequeno avião, enfrentamos turbulências, raios e tormentas, onde acreditei que a morte me cobriria. Mas, a todos ignorou, mesmo porque, não estávamos sujeitos às mesmas Programações.

Na capital, o pouso deu-se em um hangar particular aonde nos esperavam entre outros, meu advogado Dr. Arnaldo F. Busato, que agradecida e emocionada, abracei. Também estava aquele “filho” detido pela polícia, que sem qualquer motivo, o seviciou. Tal atitude como outras de igual natureza, enquadra-se como abuso de poder?

Em lugar seguro e ignorado por alheios, a sedenta mídia nos invectivava nas contumazes infâmias, enunciando a presença da “SEITA SATÂNICA (sem aspas), no embuste sobre o lugar onde estávamos.

Em determinado momento, convidados a comparecer frente ao senhor promotor de Justiça, declarei como INFORMANTE, SENDO FALSA A PUBLICAÇÃO DE QUE FUI INDICIADA.

E toda a balbúrdia gerou diversificadas situações, inclusive com o afastamento do chefe de polícia -provedor das falsas informações-, angariando também para si um processo (assim foi anunciado) movido pelo digno promotor da causa, atuante na época Dr. Antonio Cesar Cioffi de Moura. Finalmente em 28 de setembro pudemos dar a esperada coletiva, onde os exploradores da desgraça alheia se amontoavam preparados para o “massacre.” Nosso advogado advertiu que se as perguntas fossem dolosas, interromperia a entrevista. A tudo gravamos. Teruggi foi o primeiro a responder as argüições, citando os Estatutos do Lineamento, diretrizes e pormenores que por serem extensos, menciono apenas um dos tantos a nós, caluniosamente imputados: Existência de ritos. Aclaro: L.U.S. não se atém a ritos como os utilizados nas religiões, espiritismo e outras congregações. Seu culto é dedicar-se ao estudo dos universos.

Propositalmente calada, eu incentivava chances de suspeitarem de um portunhol, pois mantinham nos jornais, que Valentina mal falava o idioma português. Em dado momento, uma das argumentadoras, astuta e ansiosa como os demais por desmascarar-me como brasileira, pede que eu responda ao que seria formulado. Expectantes, afundam nas próprias areias movediças ante meu português fluente e tranqüilo. Respondi sem titubeios ao que me era ininterruptamente argüido e, aproveitando o momento certo, abro a primeira página de um dos jornais que escandalosamente estampava nossas fotos sob o rótulo:

SEITA SATÂNICA VOLTA AO BRASIL

Utilizando-me das célebres palavras do ministro, Sir Winston Churchill, adaptei:

Nunca tantos falaram tanto e tão mal... de inocentes.”

Ao responder para aonde iria após a entrevista, eu disse o obvio: “Para minha casa!” Baixaram as cabeças e escreveram sei lá o que. Mostraram surpresa que não depreciei, e acrescentei que a eles caberia o desmonte das injúrias publicadas.

Quando intimamente regozijava-me ao ver as caras de “eu não fui,” e constatando não estarem diante de criminosos, percebo que pouco a pouco, jornalistas e servidores vão saindo de fininho. Levanto-me e tocando com vigor a mesa, avoco: “Um momento! Voltem. Por que vão embora? Já sei. A verdade não interessa. Não vende.” Nenhuma voz retrucou. Simplesmente deram de marcha ré. Ao dia seguinte tal como previ, os interesses comerciais estiveram em primeiro lugar e um ínfimo do verídico, foi publicado.

 

LONDRINA.

 

Ficamos horrorizados ao saber detalhes do desespero vivido pelos presentes na época da passeata, assim como o percebimento das cortinas, paredes, móveis perfurados e vidros estilhaçados pelos projéteis arremessados pelo imbecil que não deveria andar à solta, pois da própria polícia, soubemos não possuir porte de arma. Tipos que assim atuam, não ofertam ameaça à sociedade?

Soubemos inclusive, que uma cápsula de projétil de uso policial foi encontrada diante da minha residência, projétil que mantinham sob guarda de uma autoridade. Durante seguidos meses, Teruggi contratou diuturnamente, guardas armados para nossa segurança. Olhares de espezinho eram lançados pelos que nos desconheciam. Contudo, continuamos nossas vidas.

Uma noite, penso nos seguranças que poderiam estar com fome e preparo um caprichado lanche que entrego para um deles. Ao estendê-lo, acreditando que contente o “devoraria,” olha-me desconfiado e recusa. Por que o desdém? Tamanho era o burburinho contra nós, que deve ter acreditado sermos assassinos e o quitute... envenenado. Entendi seu olhar e ali mesmo sentei-me sobre um degrau e saboreei aquela gostosura.

Liberada, Dr. Busato tratou dos trâmites legais, sendo as fitas, cartas e vídeos, devolvidos, mas... nem todos, pois dei falta de vários. Faltaram também, pertences de valor que naquela invasão, “espíritos” aproveitaram-se da trapaça e surripiaram.

Cartas ainda não lidas pela destinatária foram abertas pela polícia civil da cidade, abrir correspondência alheia, invasão, subtração de objetos e outros similares, tudo absolutamente desordenado e sem mandado judicial, serão atos criminosos? Não! Policiais honrados não se atêm ao ilícito, mas alguns “espíritos,” sim. E quais teriam sido os motivos para a não devolução intacta de todo o conteúdo levado? Onze anos depois, saberíamos que a trama aguardava tal Jibóia, para o bote. Só que a “cobra” e seus incontáveis amigos ficaram de boca-seca e sorumbáticos, pois o banquete supimpa, sobrecarregado das mais finas iguarias... ah! Depois eu conto.

 

OUTRA MAIS!

 

Comparecemos também à polícia civil, onde existia uma acusação de estelionato contra mim, cuja documentação comprobatória da minha inocência, outro “espírito” boicotou. Como “trabalham!” Entrementes, um humano sabedor do assunto, comenta para meu advogado sobre o seqüestro e, que entregara -não recordo se conseguira uma cópia- o comprovante diretamente ao mui digníssimo senhor promotor Dr. Antonio Winkert Souza, que atuou não como ferrenho acusador, e sim, legítimo mantenedor da lei. Novamente e como não poderia deixar de ser, saio ilesa do embuste.



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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