Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

UMUARAMA.
Paraná.

 

Às 08 h -17 de novembro de 2001- somos avisados que uma pequena nota fora publicada aqui em Londrina (oriunda de Umuarama, localidade que pouco dista), onde nos próximos dois ou três dias seria decretada minha prisão. Meu marido e eu saímos em busca do advogado londrinense (que não mais se ocupava da causa, pois o anterior de São Paulo retomara a saúde, voltando a encarregar-se do processo que corria no Norte), que gentilmente nos atende e aconselha irmos a Curitiba, pois a denúncia de algo que ignorávamos teria partido daquela capital.

Tomados de preocupação, para lá me dirigi com meu marido e uma filha que estava de passeio em nossa casa. Acorri ao Dr. Busato, pois lhe seria mais fácil constatar de onde surgira e de que se tratava o assunto, ficando combinado que verificaria. Após agradecer, voltamos para nosso lar e seguidamente para São Paulo a comentar com Dr. Sadeck, que imediatamente telefonou ao delegado responsável da causa, prometendo levar-me a depor dentro dos próximos dias, fato que eu desejava fazer o mais breve possível. Entrementes, pede que permaneçamos naquela capital. De telefonemas em telefonemas nos restou permanecer na capital uns 40 dias, pois o advogado estava às voltas com outras causas fundamentais às que se comprometera.

Afligia-me não ver sua palavra cumprida, mas ele garantia estar em contato e tudo na ordem de espera. Resolvo então apelar novamente ao Dr. Busato que lhe telefona explicando a situação e minha ansiedade em resolver o desgastante assunto.
Feito o substabelecimento, Dr. Busato ajusta com o delegado de Umuarama que eu me apresentaria na maior brevidade. Necessariamente, contratamos outro causídico da localidade para informar qualquer novidade e, regressamos a Londrina. Ao dia combinado comparecemos a Umuarama, onde jamais eu havia passado sequer pelas cercanias. O recém contratado bacharel esperava por nós. Reunidos, poucos minutos conversamos e em seguida fomos à delegacia onde me colocavam como suspeita do desaparecimento de uma criança moradora da localidade. Segundo comentários, havia sido levada por argentinos. Tal suspeita derivou-se do responsável naquele momento pelo SICRIDE, (organização de Curitiba, criada para o esclarecimento de menores desaparecidos), que me apontava como prima de um dos raptores (a), alegando também, que eu usava o falso nome de Jurema Valentina.

Fomos recebidos pelo senhor delegado que educadamente me inquiriu e, como de praxe, respondi com a verdade, negando firmemente o dito nome como também, conhecer a qualquer dos envolvidos. Fui então dispensada.

Contratamos então em definitivo ao Sr. Dr. Busato, que ingressou perante o STJ com Habeas Corpus em meu favor, requerendo a invalidade da denúncia realizada em Altamira -que foi indeferido- fazendo com que meu advogado entrasse com novo recurso no STF.

Aguardávamos a decisão, enquanto que o juiz de Belém estabelece a data de 27 de Agosto de 2003 para o júri popular, onde eu estaria juntamente aos quatro demais acusados, dado a que um deles (segundo noticiários, ex-policial) encontrava-se foragido.

Comentários alheios: “Foi o mais inteligente e vivo.”

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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