Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

A PSICÓLOGA.

 

Fui igualmente solicitada e não escondo que mesmo receosa, atendi. Circunspeta, recusou-se a indagações, pedindo que me colocasse tranqüila e desafogasse. Percebi quão distinta era da outra, pois não se depositava em pedestais. Incentivada pela meiguice observada naquele olhar, chorei livremente e contei a verdade. Minhas lágrimas eram enxugadas pela gentileza com que me entregava lencinhos de papéis. Outras vezes fui chamada, acorrendo com meu coração latente de alegria, pois estaria diante de alguém compreensiva, meiga e que se harmonizava com seu dever profissional. Foram muitas e longas nossas conversas, chegando à menção de assuntos independentes que me fizeram esquecer por momentos, as atribulações vividas. Eu a tratava de querida, não apenas usando do costume e sim, por senti-la como tal.

Numa das tardes onde em prantos incontidos revelava minhas angústias, ela me estende as mãos que são recebidas pelas minhas. De olhos fixos aos meus, diz: "Valentina, ou você é uma grande artista ou é mesmo inocente, porque conseguiu me tocar." [sic]

Em abundantes lágrimas confirmo a "confissão" e completa inocência. Ali eu não tratava com uma "DOTÔRA", mas com a precisada amiga. Deixo-lhe, portanto um recadinho: Querida? Não de hoje a senhora comprovou que nunca lhe menti, fingi ou falseei a verdade. O planeta gira e não é impossível que esta humilde pessoa, um dia possa ser-lhe útil. Se assim for, conte comigo e com a lealdade que me é natural. Envio-lhe meus agradecimentos não por delicadeza ou educação, mas por haver-me sido de valia muito maior do que possa imaginar. Receba um grande abraço e o beijo fraternal desta honrada senhora que agradece o carinho recebido e lhe dedica o continho a seguir.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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