Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

A MORADA DOS SENTIMENTOS.

 

Há milhões de anos em um lugar hoje inexistente e chamado de Sonhos, havia uma ilha reluzente que abrigava dentre outros, os seguintes sentimentos:
A Alegria, a Vaidade, a Tristeza, a Sabedoria, a Arrogância e o Amor.

Um dia, os moradores foram avisados que a ilha se inundaria. O Amor, sempre preocupado com os demais, corria de um lado a outro alertando os sentimentos para que se salvassem: Fujam! Fujam que a ilha vai ser inundada! Rapidamente, todos se dirigiram a seus barquinhos para alcançarem um lugar seguro. Somente o Amor, habituado a prestar auxílio, permaneceu despercebido que quase todos haviam partido e a ilha se inundava. Quando estava por afogar-se viu que passava a Riqueza e pediu: Riqueza? Podes levar-me contigo? Ela respondeu: Não posso. Meu barco está repleto de ouro e jóias. Você não cabe! A seguir divisou a Vaidade: Vaidade? Por favor, posso ir contigo? Em seu exibicionismo, retrucou: Não! Você está molhado e vai sujar meu lindo barco.

O Amor seguia aflito quando avistou a Tristeza e também pediu: Tristeza? Posso ir com você? Condoída de si mesma respondeu: Oh Amor... estou tão triste que prefiro ir sozinha. Passa a Alegria sempre eufórica e saltitante, que tampouco se importou com os apelos do Amor. Surge então a Arrogância e ele em desespero, gritou: Arrogância? Ajude-me. Preciso de você! Em seu natural egotismo, mal lhe concede um olhar e responde: Ah! Não vês minha grandeza? Acreditas que perderei meu valioso tempo com um ser diminuto como és? Olhe bem para mim e veja a diferença entre nós! Saiba que não estou para ajudar! Mostro presença para que todos reconheçam minha categoria, baixem suas cabeças quando eu passar e lancem elogios regados de pétalas e perfumes raros que me comprazem pisotear!

Desolado e pensativo em todos os que durante anos havia ajudado e que o deixaram sozinho, sentou-se num cantinho e começou a chorar, esperando para morrer. Foi quando surgiram como do nada, um barquinho e seu dono, um ancião, que lhe diz: Vem Amor! Sobe que eu te levo.

O Amor assuou o narizinho, enxugou as lágrimas e radiante de felicidade deu-lhe mil agradecimentos e subiu ao barquinho. Absorto nos indiferentes que acreditou companheiros olvidou de perguntar o nome do ancião. Chegando ao lugar seguro onde todos os sentimentos já estavam a salvo, o Amor não encontrando seu bom velhinho, chama pela Sabedoria e pergunta: Sabedoria, onde está que não o vejo, e quem é o bondoso senhor que me trouxe até aqui?
E ela explicou: Foi o tempo.

Surpreso, volta a indagar: Mas... por que apenas ele veio em meu auxílio? E responde a Sabedoria: Muito simples. Somente o tempo é capaz de socorrer e salvar a um grande Amor que indubitavelmente, você é.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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