Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

ESPÉCIMENS QUE HONRAM A MAGISTRATURA.

 

Percebi no olhar do Dr. Dalledone, uma ternura ímpar. De caráter estrênuo, a cada acusação rebatia com provas documentais que lhe passava às mãos numa rapidez impressionante, seu auxiliar, Dr. Caio.

Para uma tênue imagem da palhaçada que foi aquele julgamento, em dado momento o promotor se entrega a falar de futebol, (Brasil x Argentina) que tal perdeu, tal ganhou, que gostava daquele país, e se perdeu em blá, blá, blás. É compreensível! Quando a “sede” ataca, o melhor é idealizar um oásis com abundantes cascatas em pleno deserto. Assim, o “gracioso” promotor pôde mitigar a “sede” mudando de assunto, pois naquele “campeonato,” os “visitantes” não permitiam a passagem de bolas contra. A “casa” perdeu de goleada, pois levou “bolada” por todos os lados e não encontrou forças (leia-se provas), para ostentar o pretendido “troféu.” Que fizeram então? Ao dia em que as testemunhas de acusação se apresentariam, aparece -seguramente buscado por diabólicos e retirado dos confins do inferno- o tal Edmilson da Silva Frazão, (correu “boca solta” não haver passado de sofisma e ter sido substituído por alguém “comprado” ou alguma barganha). Seriam mexeriqueiros os que assim afirmavam?

Depondo cerca de 1h05m, Edmilson diz haver-me visto na casa de um dos réus (Dr. Anísio), vestida como os demais presentes, ou seja, usando uma capa negra e capuz. Foi então que os jurados entraram em ação argüindo-o, como conseguira identificar-me. Frazão responde que a sala estava meio escura, mas havia quatro velas acesas nos cantos. Afirmando que ali se daria um ritual resolveu sair de lá. Causou riso entre vários dos presentes, quando indagado sobre o tipo das capas. Apontando as vestes do promotor, responde com naturalidade: “Assim como essa.” [sic.]

Consta do processo, que anos atrás Edmilson da Silva Frazão compareceu perante autoridades judiciais em refração ao que dissera relacionando-me aos crimes, atestando que o fizera pressionado pela polícia. Não uma só vez, mudou as declarações a meu favor.

Outras perguntas e começou a tremer de cima a baixo, pois cada vez se enroscava mais nas mentiras. Não suportando, lanço um olhar para meus advogados pedindo para defrontar-me com ele e recebo sinal de consentimento. De imediato me aproximo e o encaro, ficando também de frente aos jurados e público. Por estar impedida de falar, digo baixinho: “Mentiroso!” Ele abre os braços e faz um gesto com as mãos. Retorno à cadeira, lugar onde jamais deveria ter estado. As argüições variaram e o informante da promotoria seguia enrolado nas falcatruas. Seguramente não exercitou a memória nos ensinamentos, pois se perdia tartamudeando e tremendo como varas verdes.

Posteriormente ficou provado através de um vídeo levado a uma surda-muda, que em leitura labial confirmou o que eu dissera. Constatado também ficou, que naquele gesto, ele respondeu: “É isso aí.” E eu meditava: Que teriam proposto àquele safado para mentir despudoradamente? Foi prometido algum “arranjo?” Seriam verdadeiros os comentários de que o sujeito fora “comprado?” Dr. Dalledone não perde tempo e declara que Edmilson da Silva Frazão estava sendo processado por dois crimes: Um de estupro e outro de estelionato. Os promotores se levantaram em defesa do cretino, argumentando que tais processos não vinham ao caso.

A cada acusação da promotoria e respostas do pactário, eu meneava a cabeça e apontava ao peito assinalando inocência e repugnando o escutado. Assim fiz desde o primeiro dia, até que o juiz em dado momento me adverte aos gritos que se eu não “calasse” seria mandada para fora do recinto.

Senhor juiz? Eu desconhecia que cabeça tem voz! Mas através da sua pessoa aprendi que sim, tem, visto que, ela abriga o cérebro que muitas vezes se manifesta através de gestos independentes, mas consciente das razões.

Retornando um pouquinho à narrativa: Ao primeiro dia quando anunciado os nomes das testemunhas de acusação, defesa e não recordo se informantes também, adivinhem quem estava citado? Ele, Duílio Nolaço Carreira, corrijo: Duílio Nolasco Pereira. À medida que eram convocados para a apresentação, ouvindo tal nome virei para encará-lo, porém, embora ainda não houvesse falecido... Desapareceu.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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