Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

MENÇÕES CALAMITOSAS.

 

Estando meu livro em alta escala no falatório, evidentemente foi lido na íntegra durante o julgamento, por dois homens que se revezavam sendo um deles, mais jovem. Ao escutá-los, só eu sei dizer o que senti! Foi outra violência indescritível. Agüentei ao máximo para não gritar que parassem. Meu íntimo entrou em convulsão, pois o de mais idade lia tal uma metralhadora incontrolada e ninguém entendia nada. Engolia letras, tragava... um horror! Quando chegou aos poemas que com Amor compus, tive que buscar forças para seguir sentada e mostrando tranqüilidade. Liam sem o menor respeito, sentir, interpretação, pausas ou pontuações. Ao saber que seria realizada a leitura no plenário, o único que me preocupou foi o momento que chegassem aos poemas. Perguntei aos advogados se eu poderia fazê-lo e me informaram não ser permitido. Ante aquela falta de estesia na leitura, minha vontade foi levantar-me e arrancar o livro daquelas mãos. O mais jovem até que se expressava bem, mas repentinamente se “contaminava” da “metralhadora” e o sentir, nunca existiu! Aproveitando, digo que o repórter J. Campos deve ter minha imagem gravada quando li o poema intitulado: SE, que no hotel após o julgamento, Dr. Busato consente que eu conceda uma entrevista. Casualmente estava sobre a mesa um xérox da mencionada poesia que ele ao perceber, comenta: “A senhora tem aí uma folha do livro...” Mostrando-a, indago se desejava que lesse. Aquiesce e dei passo às emoções que fluíram livremente. Na medida em que eu declamava meus olhos marejavam, e ao término mal conseguia controlar o tremor, dado ao enlevo que me invadiu. É válido indagar o porquê de tal imagem não haver sido mostrada via televisão. Se o fizessem, é provável que milhares de cérebros começassem a desfazer-se da diarréia mental que os afetou, fato que não convinha aos mercenários e cupinchas difamadores.

 

OS TESTEMUNHAIS.

 

São chamados e dentre eles, dois eram meus amigos. Uma moça brasileira (informante) e um senhor argentino (testemunha). Ao ser convocado o terceiro, apresenta-se um federal idoso (aposentado) de nome José Carlos de Sousa Machado, que anos atrás (cerca do ano 97-98) insistiu em falar comigo. Tal contumácia que não entendi, acedi por ser alimentada pelo meu advogado de S. Paulo, Dr. Sadeck. Ficou combinado o encontro no seu escritório e para lá me dirigi com Teruggi e um amigo. Pós apresentar-nos, Dr. Sadeck colocou sobre a mesa uma fita onde foram gravadas as conversações. Teruggi e eu respondemos prontamente as variadas perguntas, embora desconhecêssemos os motivos de estarmos sendo questionados. Ao término, o inquiridor leva-me a um canto da sala. Segurando minhas mãos e esboçando um sorriso amistoso, diz: “Se a senhora tivesse falado comigo antes, não estaria nesta situação.” (Referia-se ao processo que corria em Altamira). Permeio as questões, quis saber se eu mantinha contato com Duílio. Respondi que não mais e argumenta: “É... ele não anda em boa situação financeira.” Saí de lá com boa impressão daquele senhor, sendo informada pelo advogado que ele se prepusera como testemunha a meu favor, pois estava convicto da minha inocência. Porém... Teruggi e eu deveríamos nos preparar para alguns custos extras como viagens, hospedagens, alimentação e demais. O encontro findou por ali. Regressamos a Londrina e não recebemos outras notícias ou instruções.

Jamais comentei as conversações ou a fita para nenhum dos meus advogados, considerando não serem relevantes. Quanta ingenuidade a minha!

Um aparte: Em tempos que já se foram, ouvi a frase: Molhar mãos, e pensei: Por que somente as mãos e não, lavar-se da cabeça aos pés? Mas, justifico, crendo que o anti-higiênico estaria com as mãos sujas e se precisasse levá-las aos bolsos iria manchá-los. Mesmo assim, nunca está demais mostrar limpidez, primordialmente no íntimo, que, por conseguinte atingirá os atos.

No iníquo aprisionamento pensei muito naquele senhor. Ao vê-lo, foi grande a esperança de saciar a curiosidade do que diria a meu favor. Fixo o olhar em sua figura e aguço os ouvidos. Entra e não me olha ainda que disfarçadamente. Senta-se frente ao juiz e, perplexa escuto desatinos! Mencionou uma jovem de nome Francis (não forneceu sobrenome ou mínimo detalhe), que em Altamira soia levar-me durante a noite por trilhas via matagal, estando eu sobre um andor. Suas “machadadas” eram dadas sem nada aclarar e se confundia na própria farsa. Naquele fiasco de “defensor,” (segundo soubemos, ao último instante o rotularam como informante), foi perguntado se poderia trazer a tal Francis ao tribunal. O aposentado baixando a cabeça por segundos, responde que desconhece seu paradeiro, mas, “se lhe dessem tempo trataria de encontrá-la” [sic]. Houve risos abertos no tribunal, e pouco depois o dispensaram.

À hora do almoço, insistentemente procurei seus olhos que em nenhum segundo enfrentou aos meus. Esteve em conversas animadas e sorrisos com a promotoria, mas evitou passar ao meu lado. Posterior aos amistosos diálogos desapareceu. Passível na conhecida cadeira, sem poder falar em minha defesa e ajudar a desmoronar tantas ignomínias, pensar, não me podiam impedir. Perguntava-me o porquê da malvadez contra alguém que nem um único mal lhe ocasionara. Suas ficções subestimariam até a “sabedoria” de um asno, que se pudesse entender, pinotearia e rincharia em gargalhadas daquelas declarações. Até hoje desconheço os motivos da negaça, mas seguramente ele a carrega na inconsciência, digo, consciência, (se ainda não estiver junto a “Deus”).

Terminado o circo e o “festival,” Dr. Dalledone levanta-se e passa por mim como um vendaval. Dedo em riste deblatera: “Pois tragam essa Francis. Se preciso for, ficarei 10 dias, um mês... não me importo, mas quero essa Francis aqui!” Que advogado espetacular! Durante os 17 dias do julgamento, não desaproveitou uma só oportunidade para desfazer documentalmente todas as acusações, insinuações e calúnias preparadas contra minha pessoa, sempre auxiliado pelo não menos eficiente e quase um menino: Dr. Caio. Ao ouvir aquela asserção, renovei as mãos à cabeça meneando em sinal negativo, pois não conseguiria sobreviver mais tempo aprisionada. Ao instante, receei ser retirada do plenário, pois ela novamente “falou” sem meu consentimento. Mas, vale analisar, como foi que eu e a tal Francis conseguimos estar num lugarejo sem sermos vistas?

Os demais se pronunciaram e tudo correu bem. Entretanto, faço questão de mencionar:

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
Banner