Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

A MAIS “INSIGNIFICANTE” DAS “TESTEMUNHAS.”


Síntese.
Nome: Maria do Socorro Patello de Moraes.

Suas “insignificâncias”: Natural de Belém, 59 anos, professora, advogada, pedagoga e escritora.

Em virtude de haver emitido parecer -constante dos autos- sobre meu livro polemista, seria ouvida como informante. Chegado o momento de declarar, encontrava-se em precária situação de saúde, motivada por encontrar-se fora do seu lar em idas e vindas do tribunal para o hotel e vice-versa. Junto aos que deporiam, aguardava em sala separada do plenário. Ao ser convocada, deu-se uma grande confusão. Aconteceu que a senhora informante (anteriormente testemunha) havia solicitado poder aguardar a chamada em seu domicilio, o que lhe foi negado. Assim, não lhe restou outra que agüentar o que fez aos gritos, lágrimas, queixumes e palavrinhas necessárias para aliviar a tensão. A fatigada senhora estava repleta de razões. Em determinado momento sentiu-se mal e foi parar no hospital. Levemente recuperada, levaram-na de volta diretamente ao “cárcere plenarístico.” Mesmo enfraquecida, continuou com o os justos reclamos, a ponto do juiz em várias ocasiões ter-se que deslocar até ela para acalmá-la, o que de nada adiantou. Quem tem razão... resiste.

A solicitação negada partiu da promotoria, que somente concordaria desde que, a Dra. Patello não mais comparecesse. A defesa é veemente em que o comparecimento daquela senhora era importante, mesmo porque, ela insistia em declarar. Reflito sobre o que informaria a meu respeito, se éramos absolutamente estranhas. Igualmente, desconhecia que ela fora encarregada de esmiuçar meu comentado livro. Finalmente e a duras penas, comparece. Seu caminhar era dificultoso devido ao inchaço das pernas e pés. Sentada frente ao juiz, tranqüila e segura, responde as argüições. Dentre as formuladas pela promotoria quanto pelo meu advogado, declara que já fora professora de filosofia (atualmente aposentada) na UFPA, não possuir diploma em satanismo, que nunca assistira qualquer ritual do tipo e percebera no livro, a palavra Deus, em maiúsculo e minúsculo.

Em evidente depauperação foi respondendo ao que lhe era indagado. Chega um momento no qual com naturalidade afirma que na obra literária de José Saramago* intitulada: Evangelho segundo Jesus Cristo, página 36 em diante, está: Que Deus e o Diabo são um só e, quando um cresce o outro cresce também, sendo ambos, duas faces da mesma moeda. Que no livro da senhora Valentina não tem nada disso sequer. Que a senhora Valentina não faz apologia em seu livro, ao espiritismo ou Umbanda. Satiriza as religiões e se rebela contra elas.

E a doutora acrescenta não crer em bruxas, mas, que “las hay, las hay, pois já vi muitas” (sic). Assim, aos poucos ia desfazendo as infâmias que a imprensa noticiava. Declara também que ao ler o livro, procurou tal um detetive, alguma insinuação como p ex. na Bíblia, onde Herodes ordena que matem quantidade de crianças, citando igualmente Abraão que manda degolar o próprio filho Isaac, (obviamente extenuada, a Dra. Patello equivocou-se de nomes, na ordem da matança) por ordem de Deus. Diz haver procurado um mínimo que fosse algo que demonstrasse de alguma forma que Valentina incentivava ignomínias ou crimes hediondos aos que era acusada, e só um demente após lê-lo, sairia cometendo crimes ou emasculando crianças. Que a Bíblia pode dar diversificadas interpretações e são encontrados vários (crimes) e de várias ordens, inclusive relacionados a Deus. Que a frase: “Acautelem-se com as crianças,” (aponto: dela se banquetearam em distorcer e divulgar) deveria ter sido mostrada no contexto para ser entendida, e que destacar tal frase, seria o mesmo que em outras do escritor Saramago, dizer que pelos escritos ele fundou uma seita satânica. Abafei o riso quando argumentou que: “Deus havia tornado Maria uma adúltera, pois lhe dera um filho, sendo ela casada.” (sic). E seguia tranquilamente, na dissertação de fatos bíblicos.*

A promotora pergunta quem a contratara para a análise do livro. Prontamente afirma não ter sido a ré nem qualquer dos ali presentes, e que não lhe foi dito que seria juntado aos autos. Que não “teriam” (atentem ao plural) muito tempo, e a finalidade estava em que ela encontrasse algo onde a autora em algum tipo de rito, mandasse emascular crianças.

Ao assistente de acusação, declara não haver sido financiada nem paga, que sim, fora movida pela curiosidade (milhares assim estão), não existindo nexo entre o livro ou crimes. Em dado momento exprime não poder assegurar que eu fosse louca. (Entenda-se, não falou maliciosamente).

Pouco depois se bem recordo, com um gesto de enfado recusou-se a continuar respondendo e foi dispensada. Por que a recusa? Teria sido de pura imbecilidade as argüições da promotoria?

Não! Não sou louca! Todos têm direito ao livre pensar e opinar, menos eu, que “ousei” divulgar o Tesouro que Seres cósmicos me entregaram. Durante longos 24 anos fui perseguida! E por quê? Porque as Verdades derribam os interesses da clerezia e fanáticos religiosos. Meus Amigos cósmicos jamais pediram ou me obrigaram a divulgá-las. Minha consciência foi quem assim determinou. Este foi meu “crime.”

 

*José de Sousa Saramago. (16/11/1922 - 18/06/2010). Escritor português, galardoado em 1998 com o Nobel da literatura, como também premiado em vários países europeus, p ex.: Portugal, onde em 1995 recebeu o mais importante prêmio literário: Camões.

É assim! A este respeitável senhor, ousado analítico e livre pensador, que eu saiba, não foi acusado de bruxaria, emasculações, co-autor de assassinatos e fundador de seita satânica. O que dizem, é que Igreja católica quando da entrega do Nobel, repudiou a honraria a um “comunista inveterado.” Polemizado, elegeu exilar-se para as Ilhas Canárias. Teremos aviltado os Direitos regidos pela Constituição onde especifica a liberdade de pensamento e expressão? Não. Somos espinhos agudos que se cravam nos interesses daqueles que não desejam que pensemos.

 

*Os religiosos criticam Eva por ter ingerido a tal maçã, e não pensam na probabilidade de ela estar faminta e os demais frutos, possivelmente verdes. E “Deus?” Desconhecia que Eva experimentaria algo chamativo, colocado ao seu alcance? E o que dizer de Adão que acordou sem uma costela que lhe foi roubada? Porque “Deus” não lhe pediu? E muitos outros questionamentos existem. Entretanto, um dos considero bastante interessante, deixarei para que os senhores analisem e possam responder caso os fiéis indaguem: Qual o tipo de arma foi utilizado para assassinar Abel? Eu sei. Mas deixo para os religiosos e aqueles que apreciam analisar, se ocuparem em descobrir.



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
Banner