Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

DEBATE SOBRE O LIVRO.
ESCOLA SUPERIOR MADRE CELESTE - ESMAC.
Belém.

Resumo.

A análise foi feita pelos senhores professores: Antônio Jorge Paraense da Paixão, professor mestre em ciências da religião na UEPA, (Universidade Estadual do Pará).

Alexandre Cunha, professor em Antropologia na UFPA, (Universidade Federal do Pará).

Fernando Costa Xavier, acadêmico do curso de ciências da religião na UEPA.

O debate era aberto ao público. O livro foi lido por partes e as opiniões emitidas conforme entendimento de cada um. Aclaro que não o confundiram com a Bíblia. Certo é que as partes onde descrevo sobre o big-bang, mecânica celeste e infinidades de outras complexidades tornam-se praticamente impossível um debate, que por serem temas desconhecidos e sequer o mais expert em cosmologia se atreveria a contestar com segurança e conhecimento de causa. A análise referiu-se mais, sobre minha pessoa, na tentativa de conhecerem meu caráter, personalidade e o fundamental: Encontrar um mínimo que pudessem apontar como apologia a delitos, o que evidentemente, não foi encontrado. Do debate, não consta qualquer ofensa à minha pessoa.

 

ALGUMAS DAS NÃO FILMADAS.

 

Meus tremores acalmaram, provavelmente pela grande quantidade de soro, vitaminas, alimentos e remédios para energizar, transcritos pela médica particular, que a duras penas, o juiz concedeu o deferimento. A solicitação para a entrada da doutora ao presídio foi em 22 de setembro e entre negativas e investiga que investiga, o deferimento deu-se na data de 29 de outubro, sendo a primeira medicação (soro com vitaminas) ministrada recém a 1° de novembro. Analisando: Existiram desejosos na morte de Valentina? Se assim fosse, os interessados seriam aplaudidos e as promoções se fariam sem que cabeças rolassem quando a verdade surgisse? Estas e outras eu ouvi diretamente de presidiárias que me fizeram pensar. Entretanto, não me cabe responder, mas sim, à matula que carrega o fardo das respostas.

Ao dia do julgamento estou na sala contígua, “adornada” de policiais, agentes graduadas, médicos e enfermeiras que entabulavam conversações. Comecei a caminhar no objetivo de garantir poder fazê-lo o mais firme possível, para quando tivesse que adentrar ao plenário. Enquanto isso, meus pensamentos estavam direcionados ao Pai, meu abrigo permanente. Sento-me por uns minutos, quando a porta se abre e por ela passa meu advogado ansiosamente esperado. Após abraçá-lo, pergunto de súbito: “Doutor Busato? Lembra que o senhor me disse ter uma filhinha a quem deu o nome de Valentina, em minha homenagem?” Fixando meus olhos, prontamente responde em tom audível: “Sim.” Sigo argüindo: “O senhor jura pela vida da sua filha Valentina, que sou inocente?” Sem o menor titubeio e com firmeza assume: “Juro.” O silêncio imperou. Trocamos algumas palavras e retirou-se.

Já no plenário, começo a padecer a falta dos costumeiros medicamentos que não me foram dados, sob alegação de que a enfermaria estava fechada. Por mais que enviasse sinais à senhora psiquiatra ali presente (não a do presídio), percebia que ela retribuía com olhares confirmativos do que respondera quando cheguei e comentei o fato, (nada poder fazer, por não estar a cargo). Em dado momento onde as agressividades da promotora que estrebuchada em esgoelas mandando “correadas” na minha direção, tanto bufou escalando o ápice dos absurdos nas relapsas e difamantes acusações, que desfaleci. Quando dei por mim estava na sala mediato, com a máscara de oxigênio tão apertada que me sufocava. Debati-me, voltei a me debater até conseguir retirá-la, e reclamei faltar-me o ar. A médica (rodeada de outro colega, incluso uma enfermeira), a quem via por primeira vez, com simplicidade argumenta: “Esquecemos de ligar o oxigênio!” Fora um enganozinho. O que importa doutora, é que continuo viva e tranqüila, graças a que esperneei e sua pós-atenção. Bem, tranqüila quanto à consciência, mas ainda imersa na tristeza, com traumas e menoscabando totalmente noticiários que pudessem surgir referentes aos assuntos passados, aos que tomei verdadeiro terror. Pedi até mesmo que me deixassem ignorando quaisquer que fossem os comentários, caso relacionados a mim. É verdade que ainda choro, mas estou aprimorando relutar o pranto, pois não Poucos (alusão ao energético) e poucos, poderão beber minhas lágrimas na taça de felicidade. E este “manjar” não ofertarei a mais ninguém.

Não satisfeitos com as torturas, a promotora solicita ao juiz que eu fosse retirada do plenário, pois quê (referindo-se ao desmaio), “eu fazia teatro para sensibilizar os jurados.” (sic).

Dr. Dalledone enfatiza: “Se a acusada for retirada do plenário também me retiro.” Levei um susto!

Lembro que também na ocasião do desmaio, a promotora investida de “bom humor” diz que eu me fazia de “laranja.” Replico:

1- sensibilizar os jurados. Não sou juíza, mas indefiro! A justeza das provas foi que deferiu pela minha inocência.

2- teatro. O que tornei teatral deu-se por duas vezes: “O Santo Remédio,” movida por circunstâncias já explanadas, como também uma encenação em que a Luz guerreava contra as trevas, e está num dos tantos vídeos escamoteados, que à promotoria não foi conveniente mostrar. Mas, o que talvez desconheçam, é que não me faltam cópias de todos eles.

3- laranja. Promotora? Sou uma senhora “madura,” e laranja quando assim está, tem sabor adocicado. Caso foi o que quis dizer, agradeço.

Observe os comentários: “Dona Valentina? Viu que ela tropicou nos cambitos e não provou nem uma acusação? Até se engasgou!”

“Me deu um branco!” Recorda? Está no vídeo. Assim foi no percebimento que sua “canoa” furava e não havia perto ou distante um único salva-vidas. Mas não se acanhe. É entendível quando atores esquecem parte do ensaiado, ainda que o roteiro controvertível tenha sido decorado mil vezes. O que faz confundir é o cumulativo de palpites quando são muitos, os diretores.

Dentre as “delicadas” acusações, eu a olhava e digo com toda a verdade e sem um mínimo de hostilidade, que meditava: Pobre mulher. Que triste papel se dispôs a fazer. Nada sabe a meu respeito. Eu compreendia sua compatibilidade na interpretação de um papel macabro, o que ninguém pode negar, o fez com magnificência, cumprindo assim, os desígnios de um Pai que jamais o Foi!

Assim me encontrava, quando ela me aponta seu dedo e com palavras que atingiam como verdasca, grita raivosa, algo que não recordo a frase completa, mas parte, porque não sinto vontade de verificar o exato: “E pode me olhar assim, que não tenho medo!”

Não desviei o olhar e segui passiva. Que mal poderia ocasionar-lhe? Estaria incômoda diante do meu apaziguado comportamento, ou seu desejo seria provocar-me uma atitude agressiva que não possuo, mas cairia bem a seus propósitos? Não! Isto a faria mais baixa do que mostravam seus sapatos de saltos, convenientemente altos.

Recordava também, que advogada conhecida, ao saber que eu iria para o julgamento, aconselhou-me: “Suporte tudo que ouvir e faça de conta que está assistindo um filme.” Por outro lado, soube que alguém comentou quando da prisão e julgamento: “Nem Deus se descesse na Terra, conseguiria tirá-la de lá.” Essa é a confiança no “Deus” que dizem acreditar? Não entendo!

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
Banner