Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

UM SENHOR MAJOR.


Entre outras responsabilidades, era o encarregado de chamar-me para o plenário, o que fazia junto à porta pela qual eu passaria. Pessoa distinta, afável e de comportamento exemplar, é testemunhal que em um dos tais momentos (quase ao final do julgamento), exaurida pela acumulação das perversidades, parei a menos de meio metro dele, e olhando para o alto, falei com precisão:

Pai? Não te peço milagre, mas sim; Justiça”. Enxuguei as constantes lágrimas, respirei fundo e erguendo a cabeça, entrei. Pergunto agora: Alguém carregando culpa pediria a “Deus” que fizesse justiça ou se ajoelharia suplicando perdão e ajuda?

Durante o julgamento, via chegar uma senhora que era recebida com mesuras pelo juiz, e acomodando-se a seu lado permanecia atenta aos fatos. Dá-se uma das pausas para o almoço (onde eu ingeria alimentos aceitáveis), e sentada no cantinho costumeiro, olho ternamente para ela. Que senhora simpática, pensei. Parece-me gentil, meiga e amorosa. Necessitada de alguém de mais idade que me escutasse, compreendesse e alentasse, acreditei havê-la encontrado! Discretamente dou-lhe um sinal se poderia aproximar-se. De imediato atende e senta-se a meu lado. Com lágrimas incontidas e voz baixa afirmo minha plena inocência, volvendo a repetir o mesmíssimo juramento. Ela diz: “Confie em Deus” e se afasta sem mais palavras, me deixando em maior desconsolo! Algum tempo depois fico a par de que dentre outros títulos de desembargador (na época, Presidenta do Tribunal de Justiça do Pará), Maria de Nazareth Brabo de Souza estivera apegada aos que me pronunciaram ao largo de todo o processo. Neste instante, recordo palavras de meu Pai: Você, vê com olhos de Amor, mas Nós, com os Olhos da Verdade.”

Sinceramente, envergonhei-me ao tomar conhecimento detalhado sobre quem acreditei “gentil, meiga e amorosa.” Como posso ser tão crédula? Que terá sentido aquela anciã, se possui sentimentos de bondade, após escutar-me? Fosse eu, ficaria impossibilitada de lacrimejar e assumiria de frente, meu erro. Isto devido a que, reconhecer e expor um falso juízo faz parte de todos os que detêm honradez.

Que milhares se tenham deixado levar pelas manchetes sensacionalistas, indícios e pistas enganosas, posso compreender, mas, quando sabedores da verdade seguirem adiante carregando procedimentos de acordo aos seus propósitos, é inadmissível!

Ante a necessidade (para este memorial) de conhecer laudos periciais, declarações, críticas, manchetes escandalosas e tantas que verdadeiramente me eram desconhecidas por decisão própria e alheia, consegui atingir entre o insuportável, ler o “suportável” ao meu estômago! Eis uma das que ignorava naquele momento: A “gentil, meiga e amorosa” fez parte também, dos que distorcendo minhas declarações perante o digníssimo Sr. Dr. Paulo Roberto Vieira, recorreram da impronúncia por ele, deferida.

Fls. 2330/2331

 

... ao praticar sua “filosofia” usavam capuzes.

... a confissão de Valentina quanto ao uso dessa indumentária leva ao raciocínio lógico que forma uma prova indiciária de autoria dos delitos e uma conexão entre Valentina e Anísio (aclaro: o médico).

 

A realidade: Respostas manuscritas (se bem recordo), pela simpática escrivã quando declarei, e após, datilografadas.

Trechos exatos inclusive ortográficos, mas, com algumas ressalvas.

... ; E não é verdadeira os capuzes e roupões encontradas, digo, que estão na foto 822 do vol. 2° nunca pertenceram à interroganda e que isto é uma fraude, mas que foram encontradas na sua casa alguns capuzes e capaz (leia-se capas) intactas, sem uso inclusive sem orifícios para os olhos e nariz, capaz essas que seriam utilizadas para teatros que o grupo costumava fazer, digo, um grupo da Argentina costumava fazer;

... temas como combate entre o bem e o mal, e o bem sempre saía vencedor...

Pergunto e replico as declarações da “amorosa”:

  1. Qual razão a fez aspar a expressão filosofia? Se ao usá-las a senhora desconhecia os reais significados das pontuações, aceito. Caso contrário, rejeito-as!
  2. praticar sua... usavam...

    Usavam? Quem? Eu? Nós? Você? “Beleza” de ortografia!

    Que Valentina cometa erros idiomáticos é permissível e não criticável, mas letrados? É deplorável!

  3. Puro disparate tal afirmação. Jamais declarei ou mencionei. (Usuários de capuzes).
  4. Não confessei cousa alguma por ser alheia ao mencionado. A tudo respondi com a verdade.
  5. raciocínio lógico... prova!

Barbaridade! Baseada no tal “raciocínio lógico” e “prova,” ela asseverou e colaborou no ditame do Ministério Público, fazendo que recorresse da impronúncia.

São de fato vergonhosas as declarações de determinadas “otoridades.” Quanta velhacaria de decrépitos que deveriam exilar-se para que os dignos não possam manchar suas honras somente em vê-los, mas, seguem fazendo-se crer pessoas merecedoras de honrarias. O mundo está mesmo às avessas! Minha paciência é desmesurável, todavia, chega um momento que tromba com o limite. Então, a DESAFIO e a quem for capaz, a escancarar uma foto que seja, ou vídeo (dos tantos que surrupiaram), no qual estejamos “praticando” encapuzados. Mas que não sejam falsificados, pois facilmente tenho como desmascarar! Eis flagrantes das “práticas!”

É... nas maranhas tecidas pelos que repudiam a Luz, as “aranhas” constroem suas teias na esperança de capturarem incautos, à serventia dos próprios favorecimentos.

Constatem a veracidade ou falsidade, a quem pertence!

 

 

 

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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