Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

ALEGAÇÕES FINAIS.

 

05 de Dez. de 2003.

O “bate-boca” foi impressionante e os berros da promotora... ensurdecedores! Até hoje não entendi por que falava através de um microfone se ela tem voz forte. Um tanto rouquenha, mas a muitos e muitos metros, audível. Dentre a gritaria e de maneira déspota, apontando-me, chama a atenção: “Todos vimos esta mulher entrando no primeiro dia, com empáfia, cabelo bem escovado, bem arrumado, maquiada e agora está aí, de xalezinho de tricô dando uma de vovozinha.” Observemos:

  1. mulher: Tal expressão teria sido ambígua?

  2. empáfia: Cabeça erguida, sim. Empáfia? Não fui eu quem a manteve.

  3. maquiagem: Obsto. Usava apenas, batom.

  4. xalezinho de tricô: Claro! O ar-condicionado estava sobre mim e extremamente frio.

  5. vovozinha: Sempre ensinei minhas netas a me chamarem de vovozinha.

Mas, não teria sido ofensivo a todas as vovós? Seu tom de voz foi depreciativo. Constate no vídeo.

Mantendo minha educação pergunto: De que maneira gostaria que eu me apresentasse? Tal qual no meu lar? Limpa, cômodas sandálias ou chinelinhos, cabelos penteados, mas sem maiores cuidados?

A promotora se fosse apresentar-se na mesma situação a que me impuseram, iria desguedelhada? Tenho certeza que não, pois sempre a vi na ante-sala olhando-se ao espelho como inquirindo: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais...” e empoava-se cuidadosamente. Imagino então, que se apresentaria esmerada. Eu, simplesmente mostrava asseio e harmonia nas vestes, pelo fato de desprezar todo tipo de imundice. Fiz-me compreender?

Por incontáveis vezes, a promotora clamava aos gritos por “Deus,” e indicando-me direta e raivosamente, pedia que ele fizesse justiça. Dentre outros conclames, diz aos senhores jurados: “Eu confio em Deus acima de tudo. Confio em vossas excelências que serão também instrumentos dessa justiça.” Segue e repete: “Serão também instrumentos dessa Justiça Divina. Que Deus os ilumine.” “Hoje será feita a justiça de Deus e cumprida à justiça dos homens.” E fez-se Justiça. Não por “Deus nem Divina.” Os representantes do povo foram os que atuaram.

Era notória a diferença entre as manifestações da oposição e quando dos meus advogados. À promotoria já não davam ouvidos e os presentes na “platéia do circo” -repleta- aparentavam fastio. Sobravam bulícios, enquanto que na vez dos defensores, o silêncio seria quebrado se um mosquito passasse. Por que a dessemelhança? Meus advogados mostravam coerência e cultura, enquanto que do outro lado, “alguém” não se conformava reiterando comentários sobre meus cabelos bem penteados. (Ali não tanto, é entendível, mas também entraram nas “acusações”). No soflagrante foi que o promotor resolveu falar sobre futebol.

E aos berros, chamando-me de assassina, apontava seu magérrimo e alongado dedo na minha direção, bramindo: “Não se deixem enganar!” E não é que conseguiu seu apelo? Os jurados acataram obedientes e se mantiveram firmes na insistente solicitação.

Pelas não sei quantas vezes, foram mostradas (era o maior argumento para comover e convencer os incautos, da minha culpabilidade) no Data show, (telão), fotos das crianças vitimadas, o que em nenhum momento, consegui olhar. Também projetaram um vídeo (seqüestrado quando da invasão a minha residência), onde meus amigos em nossas reuniões, teatralmente brincam. Um deles se faz de médium e tal uma operação espiritual, “retira” cerca de meio metro de salsichas atadas, ficando o “enfermo,” curado. Daquela brincadeira, a promotoria se agarrou na afirmativa de ser uma das principais provas de que eu era a responsável pelas emasculações. Dentre tantas, foi outra das ridículas acusações. Não vou estender-me sobre as crueldades, ofensas, calúnias, etc. projetadas contra mim, pois foram invariáveis e cansativas, desde o principio do julgamento.

Fragmentos:

Em data de 19-11-2003, um dos prestigiados jornais do Pará publicou que a promotora afirmava estar convicta da minha condenação, inclusive que; coincidia minha presença quando do desaparecimento de dois meninos em Guaratuba, outra criança em Umuarama e também em Altamira. Mais ainda, que no ano de 1992, Valentina esteve presa no Paraná, acusada de emascular uma criança. Barbaridade!

Analisemos:

...convicta da condenação.

Onde a senhora foi parar carregando a sua convicção? Longe, não? E saiu de mãos abanando dado a que, o “pássaro” que cobiçava, “voou”!

...coincide a presença nos locais.

Mentira descarada! Apenas em Guaratuba, após o acontecido e Altamira, dois anos anteriores aos desaparecimentos.

Presa...

A convicção era tanta que degelou e nada puderam provar.

...acusada de emascular.

Isso, nas mentes com diarréia mental irreversível.

Pergunto: A promotora já concedeu entrevistas sensatas, respondendo o porquê de ter ido água abaixo sua convicção? Mostrou humildade e reconheceu a parcial que foi, e o equívoco cometido contra alguém a quem astutamente tentou incriminar? Caso tenha mostrado, eu não soube.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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