Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

ALGUNS EFEITOS DO VEREDICTO.

 

Prossigo o memorial.

Naquele ínterim, chega apressada uma agente dizendo que ao ser mostrado (via TV) a conclusão do julgamento, não sabia como os muros ão desabaram tal a gritaria e aplausos de alegria.

Em dado momento escuta-se um ruído a um estopim. Assusto-me e um dos policiais presentes e muito bem armado, pede que eu tenha calma e não fique assustada, pois tudo estava bem. Permanecem então de prontidão frente à escadaria que levava a saída, e nada acontece de maior gravidade. O ruído, fora uma pedrada que mandaram contra a porta. Houve também uma doidivanas que na saída do senhor Major, deferiu-lhe um soco. Foi presa e levada a veranear na pousada dos “quintos.”

Tive que sair em separado da família para buscar o Alvará de Soltura. A mesma agente que dera a noticia sobre aquele rumorejo levava-me pela mão por um caminho dentro do fórum, sob iluminação apagada. Chegando à rua, constato uma escadaria e vários degraus sujos de tinta vermelha, simbolizando sangue. Não tenho claras minhas conjeturas! Muito falaram sobre os integrantes de L.U.S., e os apontaram como fanáticos submissos e outras. Tão incapazes são os faladores, que não compreenderam tratar-se de amor, gratidão, respeito e cúmplices da justiça?

E como a oposição compreenderia, estando ativa na abjeção contra mim? Então, a pedrada na porta, a outra arremessada ao carro que conduzia meus advogados, a violência contra o senhor Major, a tinta e demais, o que foram? Demonstrações cristãs, gentis e repletas de ternura? Deferência aos senhores jurados que atuaram como legítimos representantes do povo? Respeito à propriedade alheia? Fanatismo autêntico de alucinados e ignorantes da causa? Desprezo à verdade e anseio exacerbado de sangue, não importando ser contra uma pessoa cuja inocência e absolvição de todo o tipo de imputação criminosa, ficou corroborada?

E a “confiança” que aos berros proclamaram suster naquele que dizem crer? Se existisse um átomo de verdade e respeito às suas crendices, não se atreveriam a ir como foram, contra, se colocando acima de um “oniparente” ao rejeitarem a invocada justiça. Com semelhantes ações, hostilizaram-no e arrogantemente lhe roubaram o lugar! Estou embasbacada com tal veneração. Com isso, o que mostraram foi indubitável, “fé-demais!”

Aqueles que dizem que religião não tem nada a ver com política, não sabem o que é religião.
Mahatma Gandhi. (1869-1948). Político pacifista indiano.

Aprecio analisar e o farei: Segundo o mito que se converteu em propagação popular, a humanidade foi criada sob imagem e semelhança de “Deus”. Será ele assim? Déspota, injusto, vingativo, sedento de sangue, irreverente, mentiroso, impiedoso, devasso e despido de valores reais? Tomando-se em conta os exemplos que seus “fiéis seguidores” evidenciaram, a resposta é uma só: SIM.

Entendo que a humanidade quase geral, precisa de algo “Divino” para apoiar-se. Não sou contra, por compreender que as Programações são impiedosas e as pessoas necessitam suporte. Então, que sejam sinceros e respeitosos e não, passando por cima. Cotejem a maneira à que me refiro ao Pai e Individualidades cósmicas.

Pobres covardes, mutilados em suas consciências, “cegos” e incapazes de se defrontarem com as Verdades. Então, que sigam prisioneiros da própria inconsciência e covardia. Por outro lado, não são poucos os que não se congratulam com “Deus” e quiçá receando dizê-lo abertamente -para não se verem perseguidos e presos- fazem-no de modo sutil.

Continuando o tema: EFEITOS.

Chegando à rua, um carro nos aguardava com o motor ligado, e vejo além do motorista, um policial no banco da frente. Porta aberta, a prestativa agente me empurra para dentro enquanto dizia: “Rápido dona Valentina, entre rápido.” Não tive tempo de sentar e fico curvada no chão para ceder-lhe lugar. Ela quase tomba sobre mim. O veículo dá inicio à partida e escuto uma voz feminina: “Esperem por mim. Esperem por mim!” Era uma das diretoras do presídio, que conseguiu alcançar-nos. Felizmente daquela vez, não havia sirenes, luzes e nada chamativo. Pelo trajeto percebem que outro carro nos seguia, no qual estava um repórter e seus companheiros. Acreditei que inalterável às minhas chegadas e saídas do plenário, diante do presídio me depararia com jornalistas aglomerados e suas absurdas perguntas, que várias vezes se viram afastados pelo distinguido senhor Major, para que eu pudesse passar.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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