Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

A SAÍDA DEFINITIVA.

 

Para minha surpresa, não havia vivalma fuxiqueira! Mal entrei, a algazarra expandiu-se tal explosão. Portas fechadas, mas as janelinhas lotadas de mãos aglomeradas se agitavam, enquanto que vozes gritavam meu nome em repetidos desejos de felicidades e aclamações por ter sido feita a justiça. O quarto onde me confinaram estava aberto, e algumas das meninas me receberam esboçando sorrisos cor neném com disenteria. Ali, não fui parabenizada nem aplaudida. O que recebi foi um abraço de uma das prisioneiras. Pensativa, por segundos paro diante do beliche, e abrindo a caixinha de papelão onde guardava minhas peças de roupas, de imediato dou por falta de duas, mas, reclamar? Para que? Decido e deixo as roupas de cama, comestíveis, xampus e outros pertences para duas delas, que se haviam comportado razoavelmente bem para comigo. A caixinha contendo meus pertences íntimos, a carreguei, bem carregadinha. A par disso, a diretora do presídio apressava-me argumentando que deveria assinar o Alvará de Soltura. E meu nome continuava a ser chamado em alarido. Ao me ir, estendo a mão em despedida para a senhora que me acudira com alentadoras palavras, quando me ouvia chorar. Querida, não esqueço que algo eu te prometi e peço que entres em contato comigo para que eu possa tornar factível minha palavra empenhada.

A porta do quarto contíguo (das condenadas) era esmurrada e se ouviam os mesmos esfuziantes chamados. Alguém em especial vem a minha memória e peço à senhora agente, que, por favor, descerrasse aquela porta. Ela acede e vem a meu encontro o “patinho” que me abraça com sinceridade, compartindo minha felicidade. Percebes agora, por que, durante a narrativa escrevi que posteriormente entenderias o motivo do meu afeto? Aqui está uma das razões. Após fecharem a porta, continuaste acenando da janelinha. Apontei a caixinha e conteúdo, destinando-os a você. Naquela correria, vejo seis ou sete policiais fortemente armados apontando na minha direção e acreditei que seria assassinada. Mas, em seguida percebi que me davam respaldo.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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