Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

O REGRESSO A CASA.

 

Chegou-nos a informação que pelas 05 ou 06 h da manhã, haveria grande manifestação diante do hotel, contra mim! Sinceramente, passando os horrores que passei calada, suportando vexames, o falatório da promotoria e outros, a dita cuja, seria banhar-me em lavanda e pétalas de rosas, não malcheirosas! Pela manhã, finalmente deixamos o “inferno,” dirigindo-nos para o aeroporto onde viajaríamos com Dr. Busato. Nossas passagens, meu marido providenciara antecipadamente, coincidindo o mesmo horário. Convencionamos então dois policiais, sendo que um deles era uma simpática e afável jovem senhora. Meus outros filhos contrataram dois policiais que os acompanharam até o aeroporto, e viajaram pela madrugada, único horário disponível para seguirem juntos. Ao sairmos busquei pela grande manifestação, e o que vejo? Por ali, transitando como de costume, as mesmas indiferentes ratazanas e baratas. Rumamos para o aeródromo, onde acreditei deparar com os mesmos jornalistas, microfones, holofotes, etc., mas não havia um só! Que enigmático! Até o embarque, “meus” policiais permaneceram junto a mim. Os trâmites foram feitos e não houve qualquer irregularidade. No salão de espera, os televisores estampavam minha imagem em primeiro plano e o falatório girava em torno da minha absolvição. Entretanto, os presentes mostravam-se desinteressados e comentavam sobre esportes, horóscopos e assuntos outros.

Não desejando ser reconhecida e chamar a atenção, entro em uma banca de revistas e diários, fingindo escolher algo. Pego um deles e ao abri-lo, ali, em tamanho gigante, deparo com minha foto. Rapidamente torno a colocá-lo no lugar. Enunciam o embarque. A fila era grande. Saio seguida de uma amiga e apresso os passos para estar perto do Dr. Busato, quando vejo que ele iniciara a entrada. Meu cônjuge e Roberto Alexandre vêm a nosso encontro e ficamos quase por últimos na fila. Adentramos a nave que estava lotada. Os passageiros tinham os olhos grudados nos jornais onde em tamanho gigante, meu nome e foto a cores, constavam na primeira página. Nossos lugares ficavam ao meio do avião, e tive que atravessá-lo mostrando tranqüilidade. À medida que eu passava, alguns me olharam com naturalidade e não ouvi qualquer comentário. Deu-me a impressão que se fartaram dos repetidos, cansativos e não mais creditados noticiários. Os jornais tampouco patentearam que minha prisão fora um blefe mancomunado. Somente noticiavam minha absolvição.

 

FRASE MARCANTE.

 

No saguão do aeroporto de Curitiba, Dr. Busato era aguardado por sua esposa e filhinha. Ele insiste que eu as conheça ao que me negava, dado meu estado físico, emocional e psíquico estarem por demais abalados. Mesmo assim, termino concordante com o pedido. Abraçam-se e percebo uma elegante jovem senhora. Ao lado, uma graciosa menininha mui bem arrumada e tendo em seus cabelos, adornos infantis. Ali as conheci e emocionou-me receber daquela criança um abraço, beijos e: “Valentina eu te amo.” A garotinha outra não era, que Valentina!

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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