Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

Dando continuação ao memorial

 

A REPÓRTER MALOGRADA.

 

Segundo informações de pessoas que assistiram determinada reportagem levada anterior à proclamação da minha inocência, afora do plenário uma repórter gravava e despejava afirmativas de que a ré fora condenada. De onde terá recebido tal asserção? Pelo jeito, diarréia mental contagia! Ou, estaria acometida de retardamento súbito? Por mais que pense, não deduzo de onde partiu tamanha certeza. Contaram-me também, que ao ser Valentina de Andrade inocentada, a dita viu gorar suas afirmativas, e estonteada, de boca-aberta engolindo os "sapos," teve que deixar o dito pelo desdito. Já pensaram na cara de tacho furado, que ficou?Galinha & Ovo Cara de tacho não. Ficou com o "furo," furado! Viu? Isso acontece quando diretores e roteiristas se juntam cada qual contando com o ovo antes de possuírem a galinha. E quem nasceu primeiro? Eu sei. Mas de birra... Não te conto.

O LUXUOSO BANQUETE!

 

Soube também, que a promotora já mantinha preparado na sua residência um requintado banquete onde compareceriam personalidades políticas, colegas, advogados, juízes e outros. Que um bofetão, retifico, um grande bufê fora contratado com os devidos componentes, tais como: Garçons, copeiras, iguarias, caros champanhes, vinhos e demais finuras para festejarem a pretendida e frustrada condenação. Também, que o "pobre" bufê foi para o beleléu. Não relacionei o motivo, pois acredito que ela pagou o encomendado. O que meus informantes não souberam dizer, se sozinha ou com alguns, a promotora conseguiu comer e beber tudo. Mas um deles foi explícito: Não compareci. Assim, o banquete minguou. Deixo agora minha imaginação divagar: "Vejo" à mulher choramingando, olhando ao redor, navegando naquela fartura, debilitada e sem poder sustentar-se nos cambitos, fula de raiva, arrancando os cabelos, curvada e esparramada numa cadeira. Quem se antecipa aos fatos muitas vezes caminha de retro. Fico uns dias em meu lar e retorno à Curitiba para atendimentos médicos, que incluíam um renomado psiquiatra.

 

AS RAZÕES DE UMA DECISÃO.

 

Recebo atenção médica e passo a escrever minhas desafortunadas memórias. Sentia-me angustiada na espera da exterminação do fraudulento processo. Existia também um velho pensamento que me afligia e impedia um convívio tranqüilo com meu marido. Condoía-me recordar sua imagem desesperada e tristonha, embora tentasse aparentar o contrário. Sentia-me responsável por sua dor e queria desincumbi-lo do casamento, tanto que, em determinado momento -nos tempos do júri- depositei sobre a mão do Dr. Dalledone, minha aliança, e pedi que a entregasse a meu marido. Entendendo o significado, recusou-a e, lançando-me o conhecido e terno olhar pediu que não o fizesse. Não tive como obstar. Entretanto, minha consciência insistia no rompimento para que meu marido seguisse sua vida na paz que merecia. E chamei-o. Falei abertamente do meu sentir e argumentei sobre o necessário que era uma separação. Cabisbaixo e com os olhos marejados a tudo escutou sem poder replicar. Expliquei sobre situações que o moveriam a dar passo a comentários alheios sobre um passado que desejamos esquecer. Compreensivamente acatou minha solicitação que tornamos realidade na concretização do divórcio. Desde então não deixamos de ver-nos e somos grandes amigos. Laborioso que sempre foi, tornou-se um próspero empresário e mantém aqui em Londrina, sua própria empresa. Muñoz é seu sobrenome. Aqui deixo então, os porquês durante a narrativa e até agora, não havê-lo sobrenomeado após Andrade.




Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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