Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

O SOL E A LUA.

 

Sol e Lua estão enamorados ou são inimigos? Se um sai o outro aparece. Evitam-se propositalmente? Então... Levam a crer uma inimizade compartida. Também, poderíamos pensar que existe inveja de ambas as partes. Observando de outro ângulo, pode-se entender como o desejo de aparecer, pois deixam para trás um "alguém" não menos importante e igualmente necessário. E nas raras vezes que o conjunto se permite ver ao mesmo tempo -ainda que fora do costumeiro- será para que existam comparações ou tentativa de obter vantagens sobre o ausente? E onde se ocultam quando o clima não oferece condições para que surjam? Estarão derramando revoltas e queixumes para os demais Astros do Sistema, buscando quem os ajude nas distorções dos pensamentos? Pode ser, pois não faltará aquele que satisfeito, colaborará para aumentar e não, na finalidade de apaziguar a instabilidade dos sentimentos deturpados. Há que estar atento inclusive, quando determinadas palavras mostrem compreensão e auxílio. Verificar se chegam sinceras ou camufladas e por dentro, abrigam regozijo ao escutarem os reclamos e perturbações alheias. Um consciente em desequilíbrio pode enxergar de múltiplas maneiras. Já uma consciência plena, quando analisa, percebe detalhes de respeito e reconhecimento que a outra não distinguirá.

Vejamos: Sol e Lua reconhecem mutuamente suas missões e potenciais. O Sol aquece, ilumina, concede vida sobre a Terra, mas está incapacitado de outorgar um repouso em paz. A Lua por sua vez, desponta para embelezar, banhar de romantismo todos os sonhos, permitir aos vaga-lumes mostrarem suas luzes e oferece um dormitar tranqüilo. Mas ela, mesmo manifestando-se há milhões de anos, jamais conseguiria esquentar a Terra. Mas auxilia refrescando o plantio que trará uma boa colheita. Sol e Lua se respeitam. Nenhum deles tenta aparecer pisando sobre o outro. Ambos têm delimitado seus espaços e tempos para atuar. Um é maior, mas percebam que em tais condições de grandeza, todos estão impossibilitados de fixar o Sol por um tempo de minutos seguidos. A outra que é branquinha e aparenta ser pequenina, mostra-se, para que todos a possam observar.

O Sol mexe no exterior, mas a Lua tem o poder de tocar profundamente e agitar o interior, onde ninguém pode divisar. Sol e Lua estão apaixonados, e nenhum poderia existir sem o outro. Cumprem um ciclo e se completam. Sozinhos, não atingiriam a meta almejada.

Manifestam-se há milhões de anos. Muito antes que a humanidade pisasse este núcleo. Não poucos desapreciam suas presenças, enquanto que a maioria tenta proteger-se da magnificência que os dois Astros ofertam. Analisemos: Em relação ao Sol, ao invés de observarem que ele brinda um clima cálido, faz com que as sementes vinguem, clareia e seca as roupas que lavamos, incita a que nos banhemos no mar, nas águas das piscinas, dá vida à nossa própria vida e muito mais! Que faz então, a maioria da humanidade? Temerosa e como única preocupação, trata de ungir e cobrir sua pele.

A Lua, uma romântica desvalorizada. Não a contemplam como deveriam. Recusam a importância e o quanto ela influencia, e mais ainda poderia e favoravelmente o faria em suas vidas, se a permitissem. Se a reconhecessem e dessem o valor merecido, nela se abrigariam e deixariam para trás os medos, terrores, dúvidas e tempestades. Os sonos não seriam interrompidos. Os pesadelos se veriam afastados e todos poderiam tecer tranqüilos, os mais belos sonhos. Mas, não são susceptíveis a ela, e quando anoitece buscam suas casas -quando as têm- para deitar e dormir. Dormir... Eis a questão.

Despertar? Estão surdos ao “despertador” que não de agora está tilintando.

Os sinos têm badalado e as aves cantam cada vez em maior alarido. O apito dos trens anuncia chegadas e partidas. Relâmpagos, raios e trovões colaboram para que acordem, e eu, escrevo este memorial na tentativa de que abram seus olhos e caminhem rapidamente, enquanto há tempo. E a humanidade, o que faz? Está cansada, estressada pelas atribulações do dia-a-dia e cede preferência a seguir adormecida. E mesmo vendo-se negados, os Astros continuam a se entregar sem nada pedir em troca ou devolver o desdenho.

Quem é o Sol? Quem é a Lua? Os leitores conseguirão decifrar a metáfora?

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
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