Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02

 

MUTAÇÃO.

 

Escrito de maneira a um diálogo comum.

Foi-me contado, que há tempos e distâncias que não sei determinar, existe um lugar nomeado de Evolução. Lá, entre os demais habitantes vivia em harmonia uma pequenina a quem denominam de

LUZ DA LUZ - AMOR DO AMOR - VIDA DA VIDA.

Ela diferencia-se de suas irmãs, por ser a única depositária de algo mui especial. Criança dotada de grandes Poderes e personalidade definida, suas manifestações eram respeitadas por reter uma genialidade incomum. Em andanças, realizava seus devaneios na criação de aves, pequenos animais, bosques verdejantes de múltiplas variações, flores de espécies raras e distintas em perfumes e nuances. Criou também insetos e um dos seus preferidos era um grilinho muito travesso, que vivia espreitando por todos os lados. Interessante observar, que todos os animaizinhos eram falantes e tinham consciência, inteligência e raciocínios independentes. E qual o objetivo? A meu entender, ela sentia necessidade de falar com alguém ou todos que a soubessem escutar, compreender e conjugar suas idéias, ou não. Assim, passava horas em conversas com o grilinho, que por vezes gargalhava e em outras, meditava. Ah... Como sabia conduzi-la a refletir, tecendo parábolas inigualáveis, onde metáforas e paradoxos sobravam e a obrigavam a descer e subir velozmente no raciocínio, em busca das respostas por ele, esperadas. E poderia ser perguntado: Então, a menina era difícil de ser compreendida e assim, precisou emanar de si, outros companheiros? Idealizo que gostava de obter opiniões alheias, para conhecer mais profundamente sua criação. Obviamente, desconhecia que fora do país onde podia sonhar, nem todos, eram sonhadores. Certa vez chegando à sua moradia, deparou-se com um pássaro que não havia gerado, e cujas proporções eram gigantescas! Possuía um colorido deslumbrante e incomparável aos demais. Seu trinar melodioso e inebriante, cativou-a sobremaneira. Mostrava, outrossim, ser falante e guardião de um grande Saber. O AMOR, exultante, recebeu-o e colocou-o em uma imensa gaiola dourada, sem grades, para que a liberdade de ficar ou se ir fosse por ele determinada. Tornaram-se grandes amigos e dele, recebeu informações que aprimoraram seu potencial de Riquezas energéticas. Tal magnificente passou a ser para a menininha, não uma ave para simplesmente trocarem idéias ou brincadeiras, mas um, talvez, semelhante em Sabedoria. A proximidade foi tão grande que os tornaram inseparáveis e, do acercamento surgiu um diálogo aberto, onde segredos inexistiam. Chegou então um determinado momento, onde a garotinha foi incumbida de uma viagem. Deveria percorrer outro Espaço, Tempos e manifestações por ela desconhecidos, para guardar nas Memórias, que seu habitat era o único que permitia tornar realidade seus sonhos de criar, viver em paz e perpetuar-se na felicidade. Assim, foi que viajou. Entrementes, pensou que a seu pássaro não deixaria, pois sentiu que dele, precisaria. Mas como transportá-lo? Sou tão pequenina. E lhe falou: "Pássaro querido? Tenho que viajar. Mas não irei sem ti. Carregar-te, tuas formas não conseguirei abarcar. Como farei, porque asseguro que se te deixo aqui, é possível que retorne para buscar-te e caso o tempo da viagem seja curto, eu poderia perder preciosos minutos." O pássaro não lhe deu a resposta devida que preferiu resguardar, dizendo que ela decidiria. A garotinha então retrucou: “Por que terei que decidir sozinha se vivemos quase como iguais?” E ele respondeu: "É para que absorvas manifestações diversas e aprendas a caminhar em um mundo diferente ao nosso, para enriquecer-te vivenciando fatos que nunca soubeste que existem. Ademais, servirá para algo relevante a nosso favor, onde também assimilarás novas experiências. Eu poderia adiantar-te mais, entretanto, circunstâncias exigem que me cale. Contudo, posso dizer-te que chegando ao lugar apontado, terás formas diferentes à genuína."

"Formas diferentes? Então serei como aqui, tudo o que eu bem quiser? Está bem. Primeiro, escolherei transformar-me em um bichinho falante, ou uma flor perfumada e multicolor. Talvez seja uma estrela brilhante, mas tão pequenina que somente olhos perspicazes me poderão divisar. Ah! Vou sonhar muito mais e ser o que ainda não fui. Acertei? Mas então... Viajar para que?" E o pássaro lhe respondeu: "Em nenhum momento eu disse isso! Será possível que você não tem outro pensar que não seja sonhar? Se acertou? Preste atenção: Você terá um corpo físico e denso. Mais ou menos já conversamos outrora e te expliquei que existem, e para lá, é que irás. Vocês caminharão juntos e ao mesmo tempo, como em separado."

"De que maneira caminharemos juntos em separado? Terei que carregá-lo? Vou ter forças suficientes? Ele me susterá ou levitará a meu lado? E se o corpo se negar? Nossas Leis regem que a Evolução não impõe desejos contrários aos de outrem, e todos sabem que não me sobreponho."

"Não te preocupes. O corpo te abrigará e você a ele. Praticamente, vocês serão um só."

"Hum... Que complicado... Mas está bem. Iremos entender-nos em igualdade de Vibrares."

"Não tão simples assim! Você continuará com a Consciência atual. O corpo terá outra diferenciada e a comunicação entre vocês, levará tempo e será bastante dificultosa."

"Então não chegaremos a um acordo! Terei minhas idéias e o corpo... Não! Não vai dar certo porque sei perfeitamente o que quero e ele, vai desejar sei lá o que. Já sei. Irei como sou."

"Oh LUZ DA LUZ! Quanto precisas recolher! Muito desconheces por tua existência haver sido até agora, somente de êxtases e harmonia. Sim, irás como és, e na Totalidade."

"É... Na verdade, minha felicidade consiste em criar vida e permitir que cada um se manifeste em alegrias e formas harmoniosas. Mas, minha pergunta, foi, como levar-te, pois..."

"Já respondi: Você decide."

"Discordo. Sempre determinamos juntos muitas facetas e meus desejos foram sempre acatados. Por que desta vez, será diferente?"

"Porque desde agora começas nas responsabilidades de decisões que terás que tomar sem minha ajuda, e assim será também, com a matéria que usarás. Deliberarás por teu lado e a matéria decidirá por si, sem que possas ajudá-la. Tua viagem é de extrema importância e erros não poderão ser cometidos."

"E se ela errar o que é provável por ser diferente a mim, quem responderá? Estará aqui para justificar-se? Sabes? Não estou gostando do que me dizes. Então, eu, ela, nós, já nem sei como expressar-me, mas, erraremos juntas?"

"Você jamais errará. Se erros existirem, serão responsabilidades, dela."

"E isso é justo? Para mim não o é, pois de LEIS e JUSTIÇA conheço as regras por havê-las originado."

"Até poderia dar-te razão, todavia, existem fortes motivos para que seja como te digo. Também te previno que quantas vezes consideremos necessárias, ela será submetida a provas para observarmos sua consciência física, e se aprovada, confiaremos nela."

"Então... Só resta esperar. E com essa conversa, sigo cogitando como levar-te e já descobri! Usaremos nossos Poderes e depositarás uma ínfima parte tua que estará escondida dentro de mim. Desta maneira, vivenciarás comigo todos os acontecimentos."

"Não minha menina. Devo ficar e quando retornes, entenderás."

E assim foi. Passaram-se milhões e milhões de anos e a garotinha regressou. Expandindo-se, O AMOR avistou seu grilinho amado que também a divisou e em um salto descomunal atirou-se em seus braços, sendo por ela mil vezes beijado. Cada beijo transformava-se em estrelas fulgurantes que o cobriam. Depositando o grilinho numa relva suave, dirigiu-se ao encontro do pássaro. Entrelaçaram-se num estreitar saudoso, e, de imediato, seu amigo notou expressões que antes, a garotinha não possuía. A primeira que observou, mostrava um corpo desconhecido, vibrante em êxtase imensurável, que se mesclava com algo que para ele era inexplicável. Entretanto, aguardou estar ciente do ocorrido para então compreender. A LUZ DA LUZ passou então a transmitir-lhe:

"Não imaginas quão pesados, amargos e cruciais foram os tempos que passei distante daqui. Estive oprimida dentro de formas anômalas. Debati-me e subsisti pela importância da MISSÃO. A matéria que usei, obteve a confiança desejada. Entrementes, desde que cheguei por lá, conheci o que chamam sofrimentos. Ela e sua consciência acumularam indiferenças, desprezos, incompreensões, torturas psicológicas, perseguições, calúnias, violências e não bastasse; desamor, abundantes e copiosas lágrimas. A princípio EU nada entendia de lágrimas, tristeza, dor, violências, acusações, castigos, sangue, torturas, mutilações, mentiras, conflitos, traições, covardias, negações, martírios e uma infinidade de aberrações que depois detalharei. Minha companheira entrou em exaustão. Muitas vezes cambaleou e não tinha em quem amparar-se ou se aconselhar. Caminhou sozinha durante milhões de anos sob diversificadas manifestações. Padeceu tanto, e pouco faltou para que a crucificassem. De muitas maneiras o foi, e não poucas vezes. Mas, opôs resistência aos tormentos sem jamais queixar-se. Conheceu as Verdades e não tardou, seguiu sem vacilar rumo a um país desconhecido. Retransmitiu os Conhecimentos e foi por multidões negada, ofendida, humilhada, maltratada, chamada de alucinada, assassina e até na prisão foi colocada! Não obstante, subsistiu sem nunca queixar-se, negar ou reclamar. Observando-a, fiquei tranqüila e compreendi tuas palavras, podendo em relativa paz seguir nas instruções designadas, ao passo que ela combatia ferozmente as Trevas e confesso, me entristecia vê-la, pois muitas vezes careceu de forças. Enviei-lhe então uma faísca do meu Potencial, que ela agarrou com sofreguidão. Afirmo também, que seus gestos, todos, foram de Amor. Pobre matéria e consciente físico! Chagas foram abertas que a levaram a conflitos inusitados. Sem compreender, ela calava e jamais a vi revoltada. Quantas acusações imerecidas ela silenciou. Quantas mágoas... Ocultou! Uma das tristezas que carregava, foi não haver podido chamar a um seu semelhante: Meu pai. Chorava as escondidas e se perguntava os motivos, até que lhe foi explicado. Entrava também em penoso estado por querer que você cantasse a fim de que EU pudesse Ressurgir às Origens de onde Parti. Tenho muito a te contar, que somente a Mim, ela confidenciou. Mas aqui estou: Veja pássaro amigo, tomei as formas da matéria que usei por ultima vez naquele baixo e infecto vibrar, para que bem a percebas, pois dela me envaideci. E agora te digo: Pai! Eis aqui Tua Filha. Acolha-me em teus braços. Ela queria tanto ser acarinhada e que lhe falassem como a um bebezinho amado. Diga-me então, pois estarás dizendo a ela: "Minha filha querida. Venha e repouse nos meus braços. Vou embalar-te e cantar para que possas dormitar tranqüila. Venha, venha e sentirás o quanto eu te Amo! Solte o teu mais belo trinado como o fazes para Mim, pois se existiu alguém mais que merece ouvir teu canto, é ela, um alguém que fielmente cumpriu sua Missão e nos levou à Vitória. Cante para ela, que nunca pôde mesmo na avançada idade, brincar como criança ou menina como desejou."

Assim que, na forma de uma simples mulher, existiu um alguém que se abrigou na humildade, desdobrou-se para fazer feliz a terceiros e ficou conhecida pelo nome de

 

Valentina de Andrade.

 



Actualizado: Segunda, 29 de Outubro de 2018 20:09
 
Banner