Escrito por Valentina De Andrade   
Quinta, 13 de Maio de 2010 19:02
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ODISSÉIA DE UMA VIDA.

 

Aos meus quatro ou cinco anos de idade morávamos na casa de uma tia (Carazinho). Até hoje, desconheço os motivos que levaram minha mãe e eu, a viver em um hotel. Da janela percebia-se abaixo um grande galpão que ela apontava e me dizia:
“Vá até lá. É lá que está teu pai.”
Eu nunca o tinha visto, e fui. Sentei-me sobre sacas empilhadas. Balançando meus cambitinhos olhava os empregados que iam e vinham, na esperança de que alguém falasse comigo. Não sei quanto esperei, até que se aproximou um jovem que pára frente a mim por alguns segundos, me olha e segue seu caminhar. Minutos depois, como ninguém mostrava interesse, saí, e por que não dizer, sentindo o que hoje compreendo ter sido frustração, pois esperava uma caricia, um “olá menininha,” ou algo que não, um rápido olhar.

 

Rio de Janeiro.

Deixando-me na casa de um seu irmão casado onde vivia também sua sogra, minha mãe decidiu viajar. Ali, também desconheci os carinhos devidos a uma criança, passando a ser alguém que servia para pequenos trabalhos domésticos. O tempo seguiu alheio às minhas carências e falta sentida da mãe que me aninhasse em seus braços, embalasse, contasse historinhas ou cantasse para eu dormir.

 

...O tempo foi passando e minha mãe aproveitava suas “férias,” até que retorna levando-me para São Paulo, donde começa meu perambular de casa em casa como um livro emprestado que passa de mão em mão ou é descartado, segundo as conveniências de cada um..
Sempre fui boa menina, obedecendo ao que me era ensinado ou mandado, procurando fazer o melhor que a idade permitia. Perto dos oito anos conheci a escolaridade. Na época, fui recebida por um casal descendente de alemães, servindo como babá de uma garotinha. Naquela família conheci a bondade, pois fui tratada com carinho. E o "Destino" persistia em não dar-me trégua!

 

... levada à chácara da madrasta da minha mãe, conheci por primeira vez, a violência contra terceiros! Meu coração oprimiu-se ao ver aquela senhora atirar a uma fossa cachorrinhas recém nascidas, por serem fêmeas. Corri para um cantinho da cozinha onde dormia, e chorei em silêncio.

 

... sendo que, nunca indaguei à minha mãe ou parentescos, sobre a história do meu nascimento que obviamente, nutria curiosidade. Respeitando seu silêncio, menos eu perguntaria como tampouco, sobre o dinheiro que por lei me foi garantido e para ela, entregue.

 

... aos 10 anos, finalmente levou-me a viver com ela, pois se havia amasiado. Para mim, foi a “glória,” por acreditar que realizaria o grande sonho que era imitar as colegas e dizer: Meu pai. Perguntei então: “Mamãe, posso chamar seu marido de pai?”
A resposta foi um virar de costas. Assim continuei meu caminhar, com mais um sonho desvanecido.

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CARÊNCIAS.

 

Amor! Ah... como eu queria ser, ainda que; amada.

Quanto anelava ser tomada nos braços. Ouvir minha mãe cantando para que eu adormecesse! Quanto ansiava que ela me contasse historinhas de fadas, castelos, príncipes, bichinhos, todos em convivência harmoniosa. Ah... como eu queria ouvir, uma vez que fosse: Minha filha querida.

Mas, os pratos oscilantes da minha vida, não suportariam o peso dos infortúnios padecidos em forma de indiferença, desdém, desamor e maus tratos, não somente dela, recebidos. Faleceu em 1985, deixando-me no vazio de esperanças e necessidades... jamais concretizadas. Ademais, como legado, deixou-me: Decepções, proibições escusas, acusações injustificáveis, engodos, e forte intento (fracassado) de prostituir-me. Não bastando, conheci de outrem, traições, mentiras e difamações, onde mutilados mentais, ardilosos e macabros, atingiram minha idoneidade e saúde, com incriminações maquiavélicas e desprovidas de um átomo que provasse ser eu, capaz de atos abomináveis, como fizeram os conspiradores contra mim.

 


 

O COLÉGIO DE FREIRAS.

 

Com tantas andanças, fui matriculada num colégio de freiras, permanecendo no primário. Aparentemente, tudo corria bem. Quando chegavam os padres, Valentina era convocada para levar-lhes quitutes antecipadamente preparados pelas freiras. Ali me sentia querida. Quanta ingenuidade! Eu, era simplesmente usada como exemplo de boa aluna e uniforme impecável, que eu mesma lavava e passava. Aquele fato era-me desconhecido, até que principiei a ter noção de que elas não eram angelicais como eu acreditava. Foi assim que percebi: Um dia, sou rudemente admoestada diante das colegas de classe, e acusada de haver escrito meu nome na parede de um dos banheiros. Não fico na suspeita, pois tinha certeza de quem o fez. Dou-lhe um rápido olhar na expectativa de que assumisse. Vendo que nada acontecia, calo. Sob castigo, a freira enviou-me baixo a uma escada sem direito ao lanche. Lugar conhecido como tal, as alunas passavam para o recreio lançando-me sorrisinhos, olhares furtivos e comentários baixinhos. Em nenhum momento a “irmã” indagou se fora eu quem escrevera. Simplesmente fui castigada, humilhada e “sentenciada,” sem direito à defesa. Estaria o "Destino" preparando-me para algo pior, mas semelhante em algumas comparações?

... Meu real prazer residia nos estudos. Porém, algo me incomodava: Não havia professora, aluna, padres ou conhecidos que não perguntassem em leves sorrisos: “Você é valente mesmo ou é só no nome?” Sem saber o que responder, entreabria um sorriso e alisava minha roupa.

... Aproximadamente aos onze anos levaram-me ao cinema, e me descubro dançando em pensamentos, como vira fazer a bailarina clássica, que parecia levitar na suavidade dos passos e movimentos. Vim bailando naquele sonho e com ele, adormeci. Passados alguns dias tomei coragem e pedi que me deixassem aprender ballet, pois tinha certeza de não fracassar.

Para meu receoso mas confiante apelo, fui “apedrejada” com a frase: “Bailarina é o mesmo que prostituta. Se você quer isso, vá saindo e não volte nunca mais.” Restou-me ao calar da noite enquanto dormiam, tentar ficar na ponta dos pés. Com esforços contínuos, consegui sustentar-me nos dedos maiores, e orquestrando mentalmente suaves melodias, dançava, buscando representar os passos, leveza e gestos que tanto me encantaram. Com o passar dos anos, ganhei de meus amigos um par de lindos sapatinhos apropriados, e realizei meu sonho dourado, que ficou somente nos sonhos de uma romântica menina, que perdurou até a maioridade, em bailar às escondidas.

Valentina danzando


 

Escrevendo na autenticidade e não sendo letrada, peço aos estudados desconsiderarem meus erros gramaticais, ortográficos e outros, assim como, não saber redigir corretamente e demais. Mas o importante é o descrito, que suponho, entenderão.

Na verdade, um dos meus advogados, ao mencionar-lhe o intuito de redigir um novo livro, encorajou-me a fazê-lo, aconselhando a contratação de um escritor profissional. Compreendi as razões mas descartei o conselho para não falsear minha autenticidade. Obviamente, seria obrigada ao ajuste de um revisor jurídico, para não cair em causa turpis de outrem.

Imagino quantos dos leitores que relembrem os funestos acontecimentos passados, ficarão surpresos ao tomar conhecimento da verdade dos atos e fatos, absolutamente opostos das manchetes repletas de sensacionalismos oferecidos por maquiavélicos, cujo único intuito foi o de ganâncias desmedidas à custa de difamações e, total desinteresse em comprovar o contrário das infâmias publicadas, que em nada os favoreceria.

 

 


 

UM DESPONTAR DE FELICIDADE.

 

Ponta Grossa. Paraná.
A “dupla” viaja e me deixa na casa de parentes que eu desconhecia.

Uma tarde fui atender ao chamado de uma emissora de rádio que convidava calouros para cantar. Após os ensaios, qual foi minha tristeza ao ser deixada de lado? Grande! Mas a alegria surgiu quando me contrataram. Gratuitamente, mas não dei importância. Saltitante em felicidade retorno com a novidade aos “familiares.” Não recebo uma só palavra de contentamento compartido.
A insensibilidade os invadia, ou devo dizer que o vírus da maldade os infectava?

... dizem que após a tempestade, nos espera a bonança. Nem sempre. Menos de uma semana...

... A tristeza levou-me à decisão de renunciar aos prazerosos momentos de cantar livremente.

 

 

A “DESPORTISTA.”

 

... aos 14 anos identifiquei minhas tendências para os esportes. O colégio era famoso pela prática de variados jogos e adepto das competições estudantis. Os treinadores, observantes das meninas com probabilidades, as requisitavam, fato que eu desconhecia. Apresentei-me e...

... Terminadas as competições festivas em comemoração a 07 de Setembro, retorno ao hotel contando os feitos e mostrando para meus “pais” as medalhas que ganhei. Deixaram-nos completamente ignoradas. A indiferença foi o sentimento recebido e que não estranhei, por estar familiarizada.

 

 

PRIMEIRO CASAMENTO.
“Mauricio.”

 

... Nas idas e vindas da escola, percebo olhares furtivos lançados pelo jovem gerente do hotel.

Não partilhava suas miradas, em demonstração de que não era qualquer, pronta a ser conquistada. E Mauricio jogava charme para uma quase menina sem atrativos físicos.

“Ficar,” não existia. Motel, era nome que eu desconhecia. Garota fácil? Não eram encontradas nas de família, mas poderiam ser facilmente “adquiridas” nas “esquinas da vida,” perambulando pelas ruas, ou no silencioso escuro das noites tardias.

Após incontáveis atribulações oriundas de meus “pais” contra mim e Mauricio, (para evitar que eu saísse de casa e perdessem o “cavalinho” que gostavam de “montar”) consegui noivar e casar-me, mesmo sentindo não dever fazê-lo. Não tardou para que eu engravidasse.

 


 

O PARTO.

 

... não conseguiram demover-me de contratar uma parteira e ter o neném em casa.

... quando a menininha nasceu sofri uma hemorragia. Minha mãe torceu o rosto e a escutei dizer: "Hum... que nojo!" E retirou-se. O que senti diante aquele comportamento? Pudor!

... Muitas vezes dei ouvidos àquela avó, para comprazê-la. Temia magoá-la se a contrariasse, e permitia direitos que me pertenciam. Eu a respeitava e queria vê-la feliz. Não gastarei maiores dados.

... na força bruta da necessidade aprendi a cozinhar, o que até então, relegava. O primeiro frango que mamãe matou (faltava-me coragem para fazê-lo) e trouxe para eu limpar, foi "trágico."
Cortei fora o pescoço do bichinho e, quem disse que por aquele orifício saía facilmente o que deveria ser retirado? Mas, aos trancos e barrancos, consegui. Desde então, cozinhar, passou a ser um dos meus "cantares" favoritos.

 

 

UMA FRASE.

 

Em tempos idos, encarregados de uma emissora televisiva tinham por hábito durante os noticiários, destacarem frases que eram consideradas como famosas, mencionando-as relativas ao dia.

E lá estava: "NUNCA MATEI UMA GALINHA."

Abaixo constava meu nome. Teria sido escárnio ao que foi e continua sendo verdade? Permito-me indagar: É inverossímil que alguém se negue a matanças, ainda que de animais? Se isso os compensa... a mim: Não.

 

 

LONDRINA.

 

Alguns meses depois o casal decide mudar-se para Londrina, onde meu padrasto tentaria melhores chances de trabalho. Aproximadamente três anos passaram e chega o convite para vivermos com eles. Que alegria! Sentiam minha falta! No fundo, ansiava estar ao lado de quem me gerara e aceitamos ir. Contudo, existia uma expectativa por parte de ambos, mui diferente da que acreditei.

Mauricio encontrou emprego em um hotel que estava por ser inaugurado. Entendido do assunto foi contratado, e eu... também. Seria meu primeiro trabalho fora do ambiente doméstico. Comparecíamos apenas meio período e éramos considerados pelos proprietários que nos retribuíam com respeitoso afeto.

 

 


 

O CONDENADO.
Uma fábula que li, quando menina.

 

Há muitos anos, um condenado à morte e oriundo de família paupérrima, expressou como último desejo, ver à sua mãe. Ela atende. O prisioneiro dá-lhe um abraço. Em seguida, fingindo segredar-lhe algo, com violenta dentada arranca-lhe grande parte da orelha que cospe longe e diz:

Minha morte é tua culpa. Desde menino comecei a aparecer com frutas que te entregava, dizendo havê-las encontrado. Fui crescendo e passei a "encontrar" dinheiro, jóias e tantas coisas mais, que nunca perguntaste como as conseguia, e estava claro que as roubava. Do roubo, cheguei ao assassinato. Se me houvesses ajudado desde a primeira vez, perguntado como e onde tinha encontrado aquelas frutas... Se me houvesses ainda que obrigado a dizer a verdade. Se me amasses, fosses digna e quisesses que este teu filho se tornasse um homem honrado, me terias denunciado quando apareci com objetos valiosos, e hoje, eu não estaria caminhando para a forca. A culpa é tua. Vou te esperar nos confins dos infernos!

 

 

A "RETRIBUIÇÃO."

 

Meses transcorrem e me confundo sobre qual atitude eu deveria tomar mediante aquela descoberta. Denunciar as tramóias de Mauricio, ou dar-lhe a chance de se arrepender e tomar o caminho correto, assumindo e devolvendo o que não lhe pertencia? Que fazer?

Após preveni-lo de que o denunciaria caso persistisse nas falcatruas, não me levou em conta e denunciei-o. Chamado à razão pelos proprietários, não teve como negar e foi despedido. Desmerecendo valores, acusou-me de tudo e dei por finalizado o casamento. Separamo-nos amigavelmente.

 

 


 

 A CROONER.

 

... O tempo passa e não pensei duas vezes. Na tarde seguinte compareci aos testes e fui aceita como crooner da orquestra. Destarte, principiava outra etapa na minha vida.

 

... Certa tarde, o regente pergunta se eu via possibilidades de auxiliar ao secretário do club que se encontrava acumulado com os convites festivos que eram redigidos à máquina. Sabendo datilografar, prontamente concordei e compareci. Nada receberia como numerário, o que não dei importância. Meu objetivo baseava-se em corresponder.

  

 

O SECRETÁRIO.

“Darcilio.”

 

Eu o conhecia apenas de vista e jamais o vi com namorada. Sua fama era de rapaz correto. Apresento-me e diz “estar a minha espera.” Quanto simbolismo guardava esta frase.

 

O MALOGRO.

 

Uns seis ou sete anos posterior ao narrado, Mauricio chega à Londrina e relata que fora procurado por meus “pais,” visto que, era preciso sua assinatura para a contratação de um advogado a quem requisitariam a guarda da minha filha! Sabedor de que a “dupla” nada conseguiria, acompanhou-os para ver o resultado. Sucedeu que sem argumentos plausíveis diante das indagações de praxe, caíram do burro, porque ao “cavalinho” que montavam, impiedosamente haviam expulsado da casa.

 

 


 

 

A UNIÃO POR DESESPERO.

 

... “você falou sério ao me propor casamento?” Aquiesce.

... Indago à proprietária se teria um quarto e cozinha para alugar.

... Sigo para onde morava, acarinhando a esperança de que me fosse pedido para ficar. Após beijar minha filha e prometendo vir buscá-la, beijei também minha cachorrinha, dando tempo àquela indiferente mulher, que impedisse minha saída. Levando minha esperança, deu-me as costas, sequer interessada em saber para onde eu iria. Saí carregando minhas valises, e enxugando as lágrimas, retornei ao trabalho.

À noite, Darcilio e eu tomamos o rumo da “nossa casa.” Meus sentimentos eram de pudor ao imaginar-me dormindo com um quase desconhecido a quem não Amava. Senti-me estranhamente mal e pensei na triste vida das prostitutas. Porém, eu nada cobraria! Não, nada cobrei e muitíssimo paguei. Poderia ter ido viver sozinha, mas, para não ser vista como independente e ser ainda mais assediada, preteri. Entretanto, o primordial era trazer minha filha e dar a ela, um pai.

 

Meados de 1953.
A princípio andávamos às escondidas dos moradores da cidade, mas logo ficou a descoberto. Assumimos, pois na verdade não tínhamos porque ocultar. Maiores de idade e livres de compromissos... livres? Nem tanto. Eu ainda não dera entrada à legalização para o desquite (Divórcio aqui, ainda não existia) e Darcilio...

... eu trouxe minha filha, fato que minha mãe não teve como impedir. Porém, não se conformava em cuidá-la apenas quando eu saía às noites para cantar. Que fez então? Praticamente ordena que Darcilio vá até ela, e enfatiza pestes sobre mim. Regressa zangado e conta-me tudo. Naquele então já sentia-me enamorada dele. Finalmente eu Amava, o que resultou na cobrança de um preço terrivelmente caro!

Uma tarde, ouço que batem à porta. Ao abri-la, deparo com uma jovem de aparência humilde que se identifica. Diz estar grávida de Darcilio e me pede que o deixe. Educadamente, respondo falaria com ele, sendo que a decisão lhe caberia. Quando chega explico o acontecido que assume. Ainda que surpreendida, dou passo à compreensão. Meses decorrem e Darcilio conta que o neném havia nascido. Digo que deveria reconhecê-lo, e vacilou. Ameacei deixá-lo se não o fizesse. Saiu e ao retornar, mostrou-me a certidão.

Eu continuava participando da orquestra. Quando saíamos para viagens, Darcilio nos acompanhava. Algum tempo depois mudamos para as proximidades de onde estávamos. A casa possuía cinco cômodos, onde o conforto e privacidade eram satisfatórios. Entretanto, a mulher (que não mais mencionarei de mãe) e seu fiel servidor entram em dificuldades financeiras e vêm morar conosco, pois jamais os abandonaria à sorte. Assim que, em uma das costumeiras manobras, ela encontra maneira de tirar-nos do interior da residência. No quintal foi construído um minúsculo quarto de madeira onde mal cabia uma cama de solteiro e para lá, Darcilio e eu passamos a viver. Na verdade, nada reclamamos. Para mim, importava estar minha filha, abrigada.

 

 


 

ALTOS CONHECIMENTOS UNIVERSAIS.
SEMPRE MEMORÁVEL, 27 DE MAIO DE 1981.

  

SENDO HOJE 27 DE MAIO, DATA INSIGNE PARA MIM, NÃO PODERIA DEIXÁ-LA PASSAR SEM ESTE MANIFESTO DE CONGRATULAÇÕES PARA COM AS INDIVIDUALIDADES QUE ROMPERAM DA MINHA CONSCIÊNCIA MATERIAL, OS VÉUS QUE MANTINHAM APRISIONADA MINHA IGNORÂNCIA DAS VERDADES E CONSEQUENTEMENTE; REAIS ORIGENS.

 

 

GLÓRIA A LUZ E A TODOS OS QUE LHE SÃO FIÉIS.

 

 

 

 


 

A IMPOSIÇÃO.


 

Pouco tempo depois, Darcilio perde a renovação da concessão do bar que mantinha no club, assim como o trabalho de secretário. Os novos moradores melhoravam a situação financeira e com meu ordenado, sobrevivíamos. Minha alegria de então consistia em cantar, o que se daria naquela noite fora da cidade. Repentinamente e sob intimidação, meu companheiro obriga-me a escolher entre ele e a orquestra. Em lágrimas diante do inesperado, apelo para sua compreensão, pedindo que não me obrigasse a decidir daquela maneira, e entendesse que eu não poderia faltar para quem contava comigo. Sua compreensão ficou em juntar as roupas e partir.

O entardecer trouxe o ônibus e músicos. Explico a situação para o maestro que pasmo, me olha e nada diz. Hesito por instantes sobre que atitude tomar, mas o dever de não falhar aos que em mim confiam ditou alto e segui com a orquestra. Durante o percurso não deixava de pensar em Darcilio, na dúvida do que fazer quando regressasse. O Amor por ele gritou forte e dei-lhe preferência.

Não foi fácil desistir do cantar, e esperava que meu marido voltasse. Alguns dias passados e comprovando que eu optara pelo mais propalado dos sentimentos, regressou. Rindo, (onde estaria a graça?) contou-me que estivera oculto no matagal em frente, espiando os acontecimentos. Fizemos as pazes. Deveria maldizer aquele momento mas nunca o fiz, uma vez que jamais negarei ao Amor. Amor e amores tão cantados, mas dificilmente valorizados, compreendidos e retribuídos!

Darcilio conseguira novamente os direitos sobre o bar do club. Nossa situação financeira melhorou, permitindo que alugássemos uma casa que dava fundos para aquele quartinho chuvoso.

Cidade “menina,” abrigava na maioria, casas de madeira. Algumas requintadas nas construções, enquanto que a “nossa” era velhinha e primava pela humildade. Mas, eu estava contente, pois finalmente tínhamos um teto seguro e a merecida privacidade. Teto seguro? Goteiras não faltavam. Arruma daqui e conserta de lá, a velha casinha “rejuvenesceu.”

Por outro lado, Xereta, (minha cachorrinha) novamente “dera no pé.” Por mais que a procurei não consegui encontrá-la. Eu chorava e Darcilio prometia conseguir-me outra, ao que eu contestava não ser o mesmo. Com seu carinho e dedicação, foi que lhe entreguei meu Amor.

“Chegar ao final da vida sem haver amado, é o mesmo que não ter vivido.” Gostei da frase e plagiei.

Amar, é a mais gratificante das emoções! Oferta ânimo para deslocar pedras e atravessar caminhos espinhosos. Amar alimenta a alma, e trás à tona o vibrar de sensações desconhecidas que invitam o permanente desejo de cantar e bailar. O pensamento gira em adivinhar os anseios do ser Amado, rodeá-lo de carinhos e aguardá-lo com o coração batendo forte, braços estendidos, sorriso franco e a melhor das comidinhas. Enfim, são milhares as demonstrações que o Amor tem capacidade de manar. Assim era como eu sentia e esperava a chegada de Darcilio.

... Nas noites de bailes eu trabalhava ao lado de meu marido. Permanecia no caixa distribuindo fichas aos garçons e atendendo aos associados que não eram poucos.
Será preciso dizer o que sentia ao não estar cantando com a orquestra? Será preciso explanar sobre quantas vezes sufoquei as lágrimas, ao ouvir as conhecidas melodias? Será preciso? Não creio. Ombreada a ele, também no trabalho, conseguimos juntar um “pé-de-meia.”

... Sete anos decorridos da união, eu desfrutava do que presumia felicidade, espalhando aos quatro ventos, que desejava para minha filha um marido igual ao meu. Desde o início, na angústia de que a garotinha crescesse com a falta de poder sentir e pronunciar a expressão pai, teve total liberdade de assim nomeá-lo, o que concordou.

No decorrer do tempo, Darcilio mudou seu comportamento. De bondoso, tornou-se mau, irritante e irritável. Nada lhe caía bem. Desprezava minhas comidas sem qualquer justificativa, e ficava dias sem trocar uma só palavra comigo. Por  mais  que  o  agradasse  e  mostrasse  ensejos  de  conversar,  me  cansei  e  resolvi  “emudecer.” Foram  30  dias  de  total  mutismo  das  nossas  partes.

Da porta eu espiava sua chegada e via que lá da esquina se aproximava assoviando alegremente. Adentrando a casa, seu rosto se transformava e passava com ares de grande senhor em conserva com limão. Cada vez, menos o entendia. Amante fiel da casmurrice, agarrou-se à decisão de que eu deveria ir ao colégio às escondidas e vigiar minha filha. Relutei ao pensar na situação vexatória, mas ele emperrara, apoiado em que a menina crescia, algum rapazinho poderia esperá-la... e despejava disparates. Tamanha a pressão sofrida, que fui! Ao flagrar-me no que fora obrigada, senti-me envergonhada. Quando retornei, disse-lhe haver-me sentido péssima ante tal procedimento. Fez-se de surdo. Outras vezes fui pressionada ao mesmo, até que por primeira vez, me rebelei: “Não vou mais! Se quiser, vá você!” Para minha surpresa, calou, e respirei aliviada.

 

 

Mesmo que a narrativa do cap. a seguir seja ainda das mais vexatórias, não poderei excluí-la, por fazer parte da minha vida.

 


 

Uma noite ao despertar, noto que meu marido não estava na cama. Ergo-me e o vejo saindo do quarto da garota. Faz-me um gesto pedindo silêncio e demonstrando que ela estava bem. Diz um refrão: “Quem usa cuida.” Não usando... descuidei.

Minha filha contava 12 aninhos e Darcilio não mais trabalhava no club. Parte da nossa reserva financeira ele emprestara a juros, o que nos ajudava a subsistir. Não sabendo que novas inventar, começa a coagir-me para que eu estivesse presente quando minha filha se banhasse. Vendo-me firme na posição de repúdio ao exigido, deu-me as costas.

Uma tarde estou indo à casa da mulher para obsequiá-la com uns doces. Minha filha ficara tomando banho. A poucos passos percebo haver esquecido algo e regrido. Entro e vou à saída da cozinha onde existia uma área que dava para o banheiro. Como mencionado, a casa era humilde e frestas não lhe faltavam. Na área, eu encostara uma mesa à parede que ligava ao banheiro. Estranho não ver meu marido, e aonde o encontro? Diante de meus olhos estupefatos, o vejo esparramado sob a mesa, espiando por uma das fendas, a menina em seu banho. Ao se deparar comigo levanta-se gaguejante e ruborizado. Frente ao meu olhar fulminante, alega estar procurando um botão da camisa. Que pretexto cretino! Sua roupa estava intacta. Adentro a cozinha seguida por ele e dirijo-me à janela. Choro baixinho para que minha filha de nada suspeitasse e murmuro: “Deus deveria colocar um câncer nos olhos de um pai que se atreve a baixezas.” E cogitava no que deveria fazer. Contar à garota para que tomasse cautela? Não conseguiria, -uma vez que ela, muito não o queria- por recear que se voltasse ainda mais contra ele. Abandoná-lo? Sim, pensei e muito, mas não tinha para onde ir levando a menina que não queria deixar. Tampouco dispunha de dinheiro. Revelar para a indiferente mulher seria catastrófico e se armaria um escândalo, o que sempre repudiei. “Oh Deus, me ajude”! Assim clamava em lágrimas. E como sempre, não lhe importaram meus queixumes. Quando a menina saiu, tapei com papéis todas as frestas que pude encontrar, enquanto aproveitava para falar de mais aquela ignomínia presenciada, que ele, calado, a tudo ouviu. Sem outra opção que continuar naquela vida, não me separei, tratando de sufocar a situação que nunca esquecerei. Passei então a manter vigilância aberta e permanente sobre ele.

Alguns dias depois vou verificar os papeizinhos e descubro amassados os que davam do banheiro, para o quarto da garota. Exclamo: Canalha! Sim. O safado continuava com suas malditas espiadas. Perdida completamente a confiança, não a deixava a sós com ele. Seria meu marido um paranóico? Esquizofrênico? Só um médico poderia atestar, e por mais que eu pedisse, ele se negava a consultar. Assim, eu vivia um dos tantos embates sem encontrar solução ou vias de como abandoná-lo.

Menciono ainda, outra das suas tramas: Em Minas Gerais, quando visitávamos sua família, fui martirizada por ele, que afirmava ter sido eu quem desaparecera com sua tesourinha. Passei o dia e a noite em prantos, que prosseguiu durante a missa que participamos com os familiares. Meses depois, sua mãe veio à Londrina e diante de mim a entregou, apontando que a encontrara onde ele costumava deixá-la.

 

 

“Não são os mortos os que em paz descansam na tumba fria.
Mortos são, os que têm morta a alma, e vivem, todavia.”

Ricardo Palma. (1833-1919). Poeta peruano.

 

Concluo este capítulo, ou precisaria centenas de páginas para narrar todas as perversidades que conservo no âmago das minhas lembranças, praticadas por Darcilio contra minha filha, eu e terceiros. Por conseguinte, obducto de quantidade gigantesca, procurando resumir a dissertação da melhor forma que consigo, sem necessidade de frases ou palavras amorais, por não ser adepta do que fere ao pudor.



 

Um aparte.
Ao rememorar fatos constrangedores, a dor se faz presente. Para afugentá-la, é necessária uma rápida mudança nos pensamentos. Assim procederei, apontando alguns cacófatos e aberrações do vocabulário que tenho observado por apresentadores na televisão, propagandistas e muitos dos que se dizem eruditos. Não compreendo o porquê de não bem utilizarem o nosso idioma, imensamente rico e variado. Se o fizessem, estariam mostrando respeito aos mestres e contribuindo com os que poucas chances tiveram de estudar, como eu. Confiram:

Pisiquiátra. Conequitá. Abisolutamenti. Bocadela. Pegô cuma mão. A genti fomus. Entrô pra dentro. Saiu pra fora. Fiquiticio. Subiu pra cima. Liquificador. Adivogadu. Isprimentá. Uma mala. Comprendu. Comé qui foi? Opição. Poblema! Num tô. Qui aconteceu genti? Nada! Caiu pra baixu i assassinô u vernáculo. E tome genti i qui qui pra variá, né? Puis é.

 

A PROPOSTA.

 

Minha filha atingira 18 anos. O "manda-chuva" não mais trabalhava no club, todavia, nossa reserva financeira havia progredido.

Uma tarde ao chegar, comenta haver recebido uma proposta para tentar a vida num povoado ao Norte do país, onde acorriam inúmeras pessoas, visto que, o desbravar da floresta amazônica era convidativo para evoluir economicamente. Argumenta que eu e minha filha poderíamos subsistir com os juros do numerário que emprestara. Meu aniversario estava próximo e Darcilio comprometeu-se a voltar para a data, quando dissertaria sobre as possibilidades encontradas ou não. Meses se interpuseram e sua ausência era gritante. Apenas telegrafava pedindo que eu tivesse paciência, uma vez que tudo corria bem. Sim, bem... para ele. No percebimento de que não estaria de volta tão brevemente, coloquei a garota na escola de ballet, que ela tanto almejava e "senhor" patriarcalista proibira. Não pude realizar meu sonho, porém, consegui efetuar o dela, e não de hoje zela seu conhecido estúdio de dança. Darcilio apenas soube, quando... "tarde demais."  

 

ALTAMIRA.

 

Pará.
Os meses sucumbiam, enquanto que meu marido, nada de aparecer. Entretanto, telefona dizendo que eu ainda não poderia ir por não haver lugar adequado, sendo o calor, insuportável. Também, que me avisaria para nos encontrarmos. Eu lhe escrevia diariamente reclamando sua falta e pedindo que viesse ao menos, "visitar-nos." Seria tanta a insensatez, ao estranhar sua ausência? Meu Amor por ele era tórrido, o que me fazia crer que se modificara. É difícil compreender?

Naquele vai-da-valsa, finalmente recebo instruções de como chegar até lá, dado a que o hotel já se encontrava terminado. Eu deveria viajar de avião e assim o fiz, deixando minha filha até meu regresso, aos cuidados da avó. Praticamente a mocinha já vivia com ela, o que me fazia sentir uma solidão ainda maior.

Horas após chego a Belém. Darcilio me aguardava no aeroporto. Outra viagem e chegamos a Altamira, um povoado de areias brancas e calor sufocante. O hotel, construído de madeira rica (mogno), era acolhedor e propício aos que não costumam dormir sobre redes. A mim, coube passar as tardes no quarto, transpirando e tomando seguidos banhos, na tentativa de relaxar e aliviar o corpo. Ao entardecer sentava-me frente ao estabelecimento, e extasiada, observava a beleza das noites que exibiam um céu conexo de estrelas luzidias.

Darcilio mandara edificar ao lado, um posto de gasolina que uma famosa companhia lhe dera a concessão. Fiquei poucos dias naquele lugarejo, pela preocupação com minha filha que ainda estudava, e era a mim que recorria para custear suas despesas. Meses decorriam e meu marido não mostrava ensejos de retornar. Chorosa, escrevia pedindo para ir novamente ao seu encontro, até que; consente. Vou, e passo outros poucos dias por lá.

Desta forma, o tempo dava seguimento ao seu interminável caminhar, até que Darcilio se digna a vir, quando em prantos e desesperada, comento por alto através de um telefonema, que sua presença se fazia extremamente necessária, devido a que... (peço escusas aos leitores, por não minudenciar o brutal ataque que sofri). Mesmo detalhando, mostrando as provas do sucedido e sabendo quem foi o responsável (que ele conhecia), Darcilio insistiu em que eu havia sonhado! Que se pode esperar de um ser despido de escrúpulos? O que recebi! E retornou para sua paixão: $$$.  

 

 


 

O ARGENTINO.
Um paranormal.

 

Altamira.
Pela tarde estou repousando, quando escuto uma voz de sotaque diferente. Dois ou três dias depois, meu marido me apresenta um senhor. Seu nome? Roberto. Vejo um bonito homem. Alto, moreno claro, olhos verdes e pele rosada. Nacionalidade, argentino. Sua maneira de caminhar denotava ser pessoa dinâmica e decidida. Fico zanzando pelo hotel e torno ao quarto. Ao entardecer, estou como de costume sentada frente ao hotel à espera do escurecer para admirar o céu e suas fulgurantes estrelas. Assim me encontro, quando ele surge e me saúda. Trocamos algumas palavras e despede-se. Aquele homem nada dissera ao meu coração. O único que chamou minha atenção foi sua maneira educada, a qual não estava acostumada.

Minha estada naquele povoado era recente. Ficando uns dias mais, a cada entardecer sentava-me no mesmo lugarzinho, desfrutando do ar fresco e as belezas da abóbada celestial. Aquele senhor passou a fazer o mesmo. Conversávamos uns minutinhos e desaparecia pelas ruas. Tendo percebido que sou mais de ouvir que falar, aos poucos me colocava a par da sua vida. Despia uma tristeza palpável no cansaço de perambular de aventuras em aventuras, na busca incessante de poder encontrar quem retribuísse sua capacidade de bem-querer. A princípio pareceu-me uma “cantada” que logo se desvaneceu. Quanto a mim, sempre buscava e não perdia a oportunidade de mencionar meus sentimentos para com meu marido. Outras tardes e novas confidências amargas. As minhas... eu calava.

Em nossos colóquios discorríamos também sobre compositores de obras clássicas, sinfonias, noturnos, prelúdios e demais, que ele cantarolava, mostrando-se profundo conhecedor.

Meu marido vez por outra passava cumprimentando-nos amavelmente. Admito haver estranhado que em nenhum momento perguntasse sobre o que conversávamos. Quem não pergunta expõe desinteresse e silenciei. Um dia e repentinamente, Darcilio me diz que o estrangeiro se apaixonaria por mim. Respondo que o problema não seria meu, uma vez que deixara bastante claro o quanto eu Amava meu marido. Não dei importância ao alerta, por descrer da possibilidade.

Estamos -o argentino e eu- novamente dialogando, quando inopinável e sem motivos, afirma que casaria comigo! Ah! Por que me saía com tamanho disparate? Como se atrevera? Assim refletindo e fazendo que percebesse meu desgosto, deixo-o sem uma palavra e vou ao encontro de Darcilio a quem comento o ocorrido, pedindo que expulse de lá, aquele safado. Como resposta, ouvi a exatas palavras: “Calma. Não fique nervosa. Ele traz outros hóspedes e rende um bom dinheiro para o hotel.” Pasma, e não encontrando explicações para tal atitude de quem esperava reação diferente, me retiro em interrogantes confusas e silenciosas.

Passei a evitar o argentino. Quando nos encontrávamos pelo corredor, me cumprimentava, enquanto que eu o ignorava em evidente demonstração de desagrado para com sua pessoa.

Minha insistência era permanente nos pedidos a Darcilio, de que ele regressasse para casa, argumentando inclusive que ainda vivêssemos 100 anos, não conseguiríamos gastar o dinheiro que “ele” reunira. Por mais que chorasse reclamando sua presença, aquele marido não escutava, contudo, em dado momento e com arrogância, prenuncia: “Aqui sou o ‘Senhor’ Darcilio e lá, sou um a mais pela rua.”

Retruco de imediato: “Ah! É assim? Você pretende ficar ‘enterrado’ aqui, enquanto que minha filha e eu... pois fique sabendo...” e o fiz partícipe de algo que poderia ocorrer para comigo. Sorrindo amavelmente, contesta com palavras indescritíveis. Aquele, foi o momento culminante que me fez definir que estivera convivendo durante 20 anos, com um comprovado amoral.

Vou para o quarto abafando o sentimento de humilhação. Chorando, atiro-me sobre a cama em estado emocional, indescritível. Não... não poderia continuar com ele. Os limites foram ultrapassados. Desorientada, ocorreu-me a frase do argentino. Interrompo as lágrimas e decido arriscar uma idéia.

Darcilio entra e sai umas duas vezes do quarto, aparentando inexistir qualquer preocupação, na certeza de que eu seria incapaz de alguma atitude rebelde. Resoluta, espero a chegada da tarde e vou para o “meu” lugarzinho lá fora. Vejo o estrangeiro que chega das obras que dirigia. Cumprimentos de praxe, e entra. Aguardo uns minutinhos e dirijo-me até a porta do seu quarto. Bato. Ele atende. Com audácia, pergunto se realmente desejava casar comigo. Surpreso, abre os olhos em espanto, mas sem titubeios, confirma. Digo que irei esperá-lo frente ao hotel, para conversarmos. Ele não demora a chegar. Daquela vez, eu colocara propositalmente uma cadeira junto a minha. Queria chamar a atenção do meu marido, na esperança de que me procurasse para se redimir. Mas, ele passava assoviando, nos saudava sorridente e seguia na dele. Ah! Mas ali, eu também tinha uma!

Sem entrar em pormenores, digo ao estrangeiro que deixaria meu marido. Percebo que esboça um sutil contentamento. Combino que nos encontraríamos na próxima segunda-feira na capital (Belém), para onde eu viajaria ao dia seguinte. E tristemente, meditava: Outra vez? Será possível que outra vez vou me entregar para alguém, sem Amar? Assim eu pensava, mas guardava uma latente esperança de que meu marido retrocedesse no que me impelia fazer.
Darcilio chega para dormir e asseguro-lhe que iria deixá-lo, partindo ao dia seguinte, só que, não sozinha. Desacreditou. Amanhece e dou início à arrumação da pequena bagagem. Ao comprovar que eu viajaria, compra as passagens e me entrega uma pequena quantia. Ao horário do vôo, acompanha-me ao aeroporto como se tudo estivesse normal. Antes de embarcar digo-lhe onde ficaria, e prometo que; se não fosse buscar-me até a próxima segunda-feira, eu o deixaria definitivamente. Ele disfarça e volta a sorrir, amparado na certeza de que eu não o faria. Estou por embarcar e aventuro um teste indecoroso, perguntando-lhe se me receberia de volta, caso eu não me apaixonasse pelo outro. Para maior estupefação, escuto: “Claro! Claro.” Não dá para enunciar o que realmente senti, mas sim, ter sido dentre outras, mais uma das repugnantes situações vividas com ele.

O pequeno avião pousa, trazendo novos passageiros. Lacrimejante, me despeço. Muito tranqüilo, Darcilio beija-me o rosto que ofereci, como se nada anormal estivesse acontecendo.

Na capital, sou hospedada na casa de uma jovem senhora casada, a quem eu avisara da viajem e convidou-me a ficar com ela. Conhecemo-nos no povoado, onde tivemos bons momentos de conversações. Não houve tempo de ampliarmos aquela amizade, pois minhas idas àquele lugarejo, sempre foram esporádicas e de breve estada.

Minha anfitriã recebe-me com um grande sorriso e forte abraço. O sorriso desaparece quando em seus braços caio em prantos. Narro os acontecimentos com detalhes. Boquiaberta, retruca: “Quem diria! Ele parecia tão correto!”

Naquela mesma tarde escrevo uma longa carta para meu marido, e praticamente supliquei que viesse buscar-me, pois não queria prosseguir ao que me dispusera. Ele a recebeu quase que instantaneamente, contudo... não apareceu!

 

 


 

Domingo.
Conhecendo os horários das chegadas dos vôos de Altamira para a capital, a cada um, rezava fortemente, expectante de bons resultados. Porém... nada!

Poucas horas depois soam batidas na porta. Minha amiga e eu nos entreolhamos e disparei abrir. Diante de mim e para maior decepção, estava o argentino. Minha agradável anfitriã que já o conhecia, deu-lhe passagem. Sentamos na sala e estou apática a tudo, enquanto que eles trocavam palavras sobre o tempo e demais comuns. O argentino conversava mas não tirava seus olhos de mim. Aos poucos fui participando da prosa, ainda confiante de que restava mais um dia de esperança.

A noite chega trazendo o momento do retiro para dormir. Roberto pergunta se tenho sono. Respondo que não mesmo porque, com ele ali, me restava negar. Convida-me então para sairmos a caminhar. Agradeço, apontando a madrugada e incentivando-o a que fosse repousar. Lança-me seu olhar, levanta e me estende a mão, crente que iríamos juntos. Reforço o que deixara dito, recordando-o que até segunda-feira... a decepção estampou-se em seu rosto, mas concordou e pediu à dona da casa, poder retornar ao dia seguinte. Ela consente.

 

Segunda-feira.
Agarrada às rezas, contava as horas para a chegada do avião, e lá vem o estrangeiro com o portunhol, seu sorriso aberto, a fragrância de colônia e todos os todos que para mim, já extravasavam! Penso: Será possível que esse homem não desconfia? Acreditará que irei a um hotel com ele? Está muito enganado. Mas quem se enganou fui eu! O dia se esvaiu trazendo a noite, e Darcilio? Continuou de marcha ré.

 

E vou em frente.
Muitas vezes ouvi que fulanos e beltranos editaram suas memórias, sem nunca imaginar que eu viesse a fazê-lo e menos ainda, não prazerosamente ou prevendo lucros financeiros, mas, pela necessidade de vários fatores. Citarei alguns:
Primeiro: Um dever em honra à verdade que deve ser conhecida de uma vez por todas, não permanecendo oculta perante milhares de incautos que acompanharam como crédulos, as calúnias, infâmias, agravos e todo o horrendo preparado e escandalosamente publicado contra minha pessoa, atingindo também aos meus entes queridos.
Segundo: Que na cidade de Londrina onde há 58 anos mantenho residência fixa, os que me desconheciam naquele então, facilmente detectavam ser eu, a mesma em incontáveis fotos -inclusive distorcidas- publicadas juntamente as maledicências.
Terceiro: O trânsito frente a minha residência era constante. Filmagens, fotografias e dedos assinaladores que afirmavam ser ela, abrigo de criminosos. Também não faltaram os disformes de almas e mentes, que se precipitaram como julgadores!

Sucede que; não de hoje, passaram a engolir em seco e tartamudear diante da justiça que se vem fazendo visível em meu favor. Outros estão em fuga descarada para impedir serem citados e responderem perante a lei, suas infâmias. E pergunto: Como andam suas caras, uma vez que as falcatruas foram desmontadas? Desengonçadas, como tenho visto umas quantas, ao passo que prossigo de cabeça erguida e não me vergando a nada. Tampouco, em tempo algum me ocultei dos cochichos, olhares condenatórios, discriminações e sutis provocações de elementos que se acreditaram e acreditam superiores em seus míseros e emporcalhados mundanismos.  

 

Retomando a narrativa interrompida.
A madrugada distendia braços acolhedores aos desejosos de repousar. As estrelas pareciam competir em seus faiscares e cores, enquanto a lua exibia um grande e claro prateado. Os pássaros no frescor da noite, deixavam seus farfalhos e gorjeios, indo adormecer.

Em um relance pela janela, observo as ruas emudecidas dos ruidosos carros e pessoas que rumavam aos seus afazeres, ignorantes do destino que as espera no dia-a-dia. Nada eu ouvia, que não fossem as batidas fortes e aceleradas do meu sentir aflito e desiludido.

Meus pensamentos giravam e eu fraquejava ante a situação que estava prestes, mas não queria realizar. Vou em busca daquela amiga que opina: “Vá! Vá sem medo. Darcilio não te merece.”

Tais palavras tombaram com minha incerteza e saí, com a firmeza de que seria a única maneira de obrigar-me a não voltar para quem preferira o dinheiro.

Roberto estendeu-me seu braço no qual apoiei o meu, e rumamos para um hotel. Ele procurava conversar para deixar-me à vontade, enquanto que me sentia envergonhada e relembrava uma quase idêntica situação passada.

Não recordo se dois ou três dias ficamos juntos, e preveni-o de que tratasse de se acomodar em outro lugar, pois Darcilio, certamente lhe pediria.

... iria ao meu encontro, tão logo terminasse seu trabalho em Altamira.

... eu havia a duras penas e sob circunstâncias alheias que prefiro não mencionar, conseguido que o amante do dinheiro me permitisse adquirir uma casa de material. Era reformada mas me caía bem. Em lá chegando, chamo minha filha e sem maiores explicações, digo não estar pedindo seu consentimento e sim, comunicando que deixara Darcilio e me uniria a outro. Não necessitando indagar os motivos, nada argumentou.

... Roberto telefona e conta que fora recebido amavelmente pelo “senhor.” Não transcorrem muitos dias e avisa-me da sua chegada.

... minha filha já se instalara em casa, o que me deixou estreme felicidade. Ele a tratava com respeito e igual atenção à que me dedicava. Vivíamos em harmonia, embora eu não o Amasse.

... Roberto pedira demissão da empresa para a qual trabalhava e trouxera determinada soma que nos assegurava um viver tranqüilo, ainda que por uns tempos.

... aqui, advogados conhecidos de longos anos, eram constantes em aconselhar-me a não deixar para trás substanciosa quantia, visto que; por lei e direito me pertenciam após 20 anos de união com Darcilio, quem eu contribuíra para a reserva financeira. Não me interessei, por haver ponderado que o dinheiro passou a ser seu único interesse. Assim ficou dito, feito e demonstrado.

... nossas economias minguavam e Roberto buscava emprego (engenharia mecânica).

 


 

... um senhor (que desconhecia a disjunção), faz-me entrega de um cheque ao portador, dizendo haver recebido como empréstimo de Darcilio, e que lhe passasse às mãos. Roberto não estava. Sem olhar o numerário, recebo, dizendo que cumpriria. Quando se retira... oh surpresa! Chegava na hora aquele dinheiro! Mas não me pertencia e estava minha palavra empenhada no prometido.

Quando Roberto chega, explico o ocorrido. Pergunta-me o que eu decidira fazer. Respondo o óbvio: Entregar ao dono. Querido (assim o nomeava), imediatamente propõe-se a viajar comigo, o que prontamente discordo. Pedi então a um tio que me acompanhasse, pois não estaria “pegado” a mim em todos os momentos.

Tenho como um dos princípios básicos, que toda relação para sobreviver, deve estar ancorada firmemente no respeito, lealdade, confiança e sinceridade. Se permitirmos segredos, estaremos dando passagem ao desenlace. Portanto, nunca ocultei meus sentimentos pelo ex marido que eu continuava amando (naquele então, eu ainda desconhecia as diferenciações). Desta forma, não me foi difícil explicar-lhe que desejava encontrar-me em particular com Darcilio, para confirmar ou não, o que acreditava sentir. Ele me compreendeu e não se opôs.

... Em Altamira nos hospedamos no hotel e dirijo-me ao posto de gasolina, onde seu proprietário arregala os olhos diante do imprevisto aparecimento. Rapidamente e de braços abertos vem a meu encontro que retribuo com um “chega pra lá.”

 

Trecho do livro original.
A propósito (o nomeio claramente) se “vossência” chega a ler este livro, eu, que porto A Bandeira das Verdades e segura da conspiração macabra contra mim, a nada ou ninguém temi, comparecendo espontaneamente a confrontar-me com os inimigos declarados. E você, o que fez?

Por que não foste diretamente com a verdade que bem conheces, em meu auxilio? Por que, te juntaste à trama urdida? Por que ao declarar, -quando em separado- deixastes suspeitas no ar, sobre algo que mostra respeito e educação? Que aconteceu quando o Juiz te chamou para diante de mim, testemunhar? Simplesmente... não compareceste! Fugiste, é a palavra certa. E ambos sabemos por quê. E vais entender a frase seguinte: “Olho por olho, dente por dente,” considero chamada à vingança. Vingança que sempre repudiei, por não constar da minha personalidade, enquanto que teu comportamento foi oposto a quem lutou a teu lado e nenhum mal te causou. E se narro algumas das que aprontaste comigo e minha filha -para com terceiros também- deve-se a que, durante 20 anos fizeste parte relevante da minha vida e não poderia te excluir da história.

Este livro servirá também, para que publicamente conheçam tua verdade e a dor de ser mal visto. Eu o fui, mas estava como estou: INOCENTE das acusações, havendo ganho de “goleada” como foi publicado. Sabes o que desejo a todos os velhacos que tentaram e continuem a desabonar-me?

Que sigam vivendo para receberem de pé:
SUAS MERECIDAS DERROTAS
.

 

Aparte.
(Transferência energética)
.
Final do Ano 2007
.
Meus Amigos cósmicos me colocam a par do falecimento de “Darcilio,” sendo este, motivo principal de eu haver tardado em decidir pela publicação, se total ou não, do livro: MÊMORE.

Portanto, muito do que escrevi anterior ao acontecimento deixo de fazê-lo, não por falso respeito e sim, porque meu desejo era que “Darcilio” viesse -eu o desafiava a vir- e lhe pudesse falar diretamente. Deixo então aos leitores, a amostra das verdades dedicadas a ele.

Não sou dos que após a morte de alguém conhecido e não merecedor de consideração, choramingam e dizem: “Era tão bonzinho!”

Entrego o cheque a Darcilio. Sabedor que prontamente eu voltaria para Londrina, ao dia seguinte levou-me a um advogado conhecido, “para uma visitinha.” Meio à conversa informal, pergunta: “Quanto você quer?” Meus olhos turvaram e sufoquei as lágrimas que despontaram.

Vinte anos! Tantas descobertas e seguia sem conhecê-lo e ele, tampouco a mim. Envergonhada e voltando meu olhar para seu lado, penso: Como você acredita que negociarei com quem Amo? E respondi: “As passagens e nada mais.” Percebi que ao advogado lhe custava crer o que ouvia, enquanto Darcilio dava um sorriso indecifrável. Nossa despedida foi em pranto unissonante e palavras sentidas de Amor e amor.

 

Nota:
Para melhor entendimento dos leitores, possibilito a que possam distinguir as diferenças entre conhecidos sentimentos relacionados às palavras que vou grifar.

Vejamos: amar, é uma sensação não considerada universalmente, verdadeira. É chamado de amor, querer bem ao semelhante, animais, objetos, etc.
Amar: É o sentimento Originário que toda Energia Carrega.
Amar: É símile ao anterior, com a dessemelhança de reter em si, distinção incomum na ORIGEM.
Amor, quando relacionado ao que sinto, significa que minha consciência caminha em conjunto À ENERGIA, podendo eu, receber Impulsos do CENTRO energético, com maior facilidade.

Aos leitores pode parecer um tanto complicado, mas, para quem conhece as Verdades, seria o mesmo que a um graduado, voltar ao curso primário.

Já em casa da irmã, titio -que presenciara a despedida- lhe comenta não haver entendido o porquê da separação. Eu não havia mencionado os absurdos passados, preferindo não desmascarar a quem continuava Amando, mesmo porque, não sou de falar desnecessariamente.

Ao retornar da viagem, Querido me recebe em esfuziante alegria. Minha filha segredou-me que durante aquela pequena ausência, ele mostrava-se duvidoso da minha volta.

Meus sentimentos por Darcilio permaneceram por mais de dois anos. Entrementes, Querido aguardava paciente, afirmando que eu nunca fora realmente Amada, assegurando que esperaria que eu estivesse pronta para receber o que ele sentia por mim. Com o tempo, passei a Amá-lo.

Nossas vidas se encaminharam. Querido começou a trabalhar e mais adiante inauguramos um comércio que prosperou. Eu me dividia entre ser mãe, empresária e outros afazeres.


Observação:
Talvez no resumir da narrativa eu inverta ao acaso, alguma data ou detalhe descrito no livro publicado. O que jamais inverterei -ainda que cale acontecimentos- será a verdade dos atos e fatos.

Meu Amor fortalecia-se, enquanto que minha filha noivou e casou. Tempos depois, rumou com seu marido para outro Estado distante.

Os meses passam ordenando a vinda dos anos. Estamos envolvidos em nossas vidas, quando somos informados de que Roberto era um sensitivo e seria preparado para desenvolver sua capacidade mediúnica. Durante um tempo em que estivemos entrelaçados a incontáveis peripécias e único rito, a concentração, chegam os:

Altos Conhecimentos Universais!
Data memorável: 27 de Maio de 1981.

Como princípio, ninguém poderá imaginar o que significou para mim, o desvelar da Grande Farsa.

O baque foi tremendo! Provocou-me o derramar de lágrimas, soluços entrecortados, angústias, tremores e taquicardia. Por momentos, pensei que desfaleceria. Não me deixei cair, mas pedi que não continuassem, pois eu não suportaria. A Individualidade aproximou-se e tocou alguns pontos dos meus braços, enquanto eu continuava em pranto convulsivo. Em segundos voltei à calma e ouvi a seguinte frase, que na época, não entendi:

“A Verdade exige: Razão para conhecê-la e forças para sustentá-la.”
“A senhora possui ambas.”

“Mas, por que eu? Por favor... parem!” E debruçava-me sobre a mesa, em lágrimas copiosas.

“A senhora deve prestar atenção às nossas palavras.” “Ouça cuidadosamente as gravações, e ao devido tempo entenderá a grandiosidade de um Todo que deve saber e iremos detalhar.”

 


 

Passei a datilografar as extensas Revelações para estudar e decifrá-las, pois o teor das palavras divergia do costumeiro.

Querido, homem de grande cultura e inteligência, em pouco tempo interpretava os quebra-cabeças, passando a discorrer sobre o tema com a capacidade loquaz e dinâmica de um intelectivo. Embevecida, eu escutava suas explanações que me pareciam “russo.” Ele falava de modo dificultoso! “Abusava” da retórica e; quando me pedia um exemplo para saber se eu entendera, idealizava de maneira inadmissível para ele. Seu argumento, era que as Individualidades atravessavam milhões de Anos-Luz para trazer-nos as Respostas e eu as exemplificava com simplicidade inadequada.

Para suavizar aquele vendaval de informações que faziam “voar” meu cérebro, não raramente, as Individualidades teciam contos simbólicos de raras belezas e inimagináveis pelo mais romântico ou apaixonado poeta.

 

1983.
Ainda aprendiz e não querendo que as Verdades ficassem tão somente em nosso poder, exponho para Querido minha intenção em divulgá-las, no objetivo único de ajudar a humanidade.

À noite falo com a Individualidade que me indaga se era realmente meu desejo. Admiti. Não havendo colisão, ficou decidido que partiríamos para a Argentina, levando nosso filhinho.

Vendemos nossos bens, (este não é o termo correto, praticamente, presenteei-os) e para lá nos dirigimos. Não tardou e Querido deu início a palestras que foram bem recebidas, chegando a reunir centenas de pessoas onde compareceram ufólogos, cientistas e curiosos.

 

 

Nas palestras ou conferências eu ficava de lado, escutando e aprendendo. Envaidecia-me ver a maneira como Querido dominava a complexidade do assunto.

Foram várias as entrevistas concedidas às televisões, jornais e rádios. Quanto à aceitação do público, nunca houve qualquer distúrbio.

Surge então um pequeno grupo de prosélitos que passaram a freqüentar onde vivíamos e ouvir as gravações. A cada vez soltavam exclamações de “descobertas” e entendimento dos porquês, que sem as Respostas não conseguiriam.

O grupinho foi crescendo tornando-se passo a passo, amigos e auxiliares das palestras quando retornamos ao Brasil. Aqui, alugamos uma casa e eles nos davam o prazer de suas visitas, assim como informes dos “estudantes” que iniciaram por conta própria, cursos e mais cursos, devido à procura pelos Conhecimentos, que assim o exigiu. Todos de natureza trabalhadora e classe mediana, uniram-se e alugaram uma pequena sala onde transmitiam sem nada cobrar. A “vaquinha” entre eles era quem permitia (nem todos nascem mercenários). Aos poucos, desponta e cresce entre nós, uma sólida amizade.

 

1985.
Não querendo guardar egoisticamente as Revelações, decidi torná-las públicas, facultando à humanidade dispersar-se das incógnitas e gritos lamentosos de: “Por que meu Deus?” “Por quê?”

Foi então que às pressas e em poucos dias, escrevi e editei o livro: DEUS, A GRANDE FARSA, (deixando claro não me referir a Jesus) e lancei-o via televisão em programa ao vivo (cidade de S. Paulo) e de grande audiência. Aproveitei e forneci alguns dos Conhecimentos que considerei polêmicos, confusos e irreais nas crendices. Diariamente, eu retirava do correio, enormes caixas abarrotadas de missivas contendo agradecimentos e solicitações de maiores informações.

... a seguir, juntaram-se em outro programa televisivo, um padre católico, um pastor evangélico, um espírita e um rabino. Fui chamada de louca e alvo direto de muitos “elogios.” Espernearam, fungaram e cada qual queria opinar mais que o outro. Somente um deles manteve-se discreto no “julgamento.” Não muito depois me concederam um programa de rádio numa emissora local, onde dei continuidade às Revelações. A celeuma provocou uma crise nervosa nas instituições deterioradas que sem delongas entraram em ação contra mim. Contudo não me deixei abater e prossegui.

Frase propícia:

S. Agostinho:
“A Verdade deve ser divulgada, mesmo quando possa ser entendida como um escândalo.”

E eu a divulguei. Mas, “aves de rapina” unidas num execrável complot...

 

Para refletir.
Pensam os leitores que as Individualidades atravessaram de um Estado a outro como fazemos ao viajar, para vir contar pilhérias? As informações são sérias e derribam com absolutamente tudo o que nos foi inculcado. Os mistérios impenetráveis às razoes, brotam na “terra fértil” (mente descomprometida e aberta) com a mesma facilidade que germina uma semente sadia. Pode-se conceber facilmente, os gigantescos quebra-cabeças, pelos quais, cientistas, pesquisadores, físicos, astrônomos, astrofísicos, ufólogos e uns quantos mais, desesperam-se (?) por decifrar.

Não. Não me atribuam loucuras, ou entregue a mentiras.

Querido e eu que a tudo assistíamos e gravávamos, riamos da ignorância que mantém a tantos, como servientes. Constatem: Existe comprovadamente, disputa entre as religiões, para angariarem o maior número possível de adeptos. Por que, ao invés de rivalizarem, não buscam na fonte límpida, as Respostas que gratuitamente dispus e disponho aos interessados? Se em união o fizessem, os templos não comportariam as multidões que acorreriam. As Verdades estariam sendo propagadas, não existiriam diversificações e estariam unidos.

Observem: Àqueles que exercem o mando nas religiões, estão deitando a perder, milhões -inclusive de ateus- que seriam prováveis correligionários. E talvez se perguntem, qual o motivo que me impede fazer o proposto? Pelas sintetizadas narrativas, facilmente concluirão as conseqüências com as que mais ainda eu seria “gratificada,” enquanto que aos religiosos ninguém perseguiria ou acusariam de bruxos, assassinos, loucos e fundadores de seitas satânicas. Estarei errada em assim conjeturar?

Analisemos: Vivemos tempos onde a real inocência ficou para trás. As crianças vão sendo instruídas sobre a gestação, nascimento, a inexistência de Papai Noel e, salvo pequenas exceções, repetem abertamente palavrões! Adolescentes dormem com seus namorados nas próprias casas, com a anuência dos pais! Respeito? Pouco se vê.

Então, por que não capacitar à humanidade, o direito de conhecer as Verdades? Por que não retroceder no que se vê deteriorado e mal-cheiroso? Por que não aproveitar à regalia de saber e retransmitir? Que os impede? Coloco apenas duas suposições: Preconceito de vir a mim por eu ser mulher? Não crêem que sou legítima portadora dos Altos Conhecimentos? Se assim pensam, indague-se de onde eu tiraria as Respostas que venho ofertando. E se me consideram superdotada estarão errando, porque não o sou.

Recordem frases lidas à amiúde, que não conseguiram detectá-las:
... “Falará o que ouviu.

Sim... sofri horrores, mas falei e continuarei transferindo o que ouvi. Não concebo como podem desertar ao que lhes faculto! Usem da razão amortecida: Desde que obtivemos capacidade de raciocínio, nos empurraram a crer em cousas que ninguém pôde esclarecer. Quem definiu os enigmas e com absoluta nitidez, a frase: “A verdade vos libertará?” Eu, que não a usurpei ou guardei em sigilo. Já se detiveram a pensar profundamente sobre o significado: “Crescei-vos e multiplicai-vos?” Não significa procriar, mas ampliar as mentes e difundir os Altos Conhecimentos Universais.

Ninguém Surgiu do pó, da terra ou qualquer costela. E tampouco, o mundo foi construído em sete dias! A era de Adão e Eva ruiu. Não desperdicem o tempo. Não o atirem ao lixo, porque ele é carrasco e tem por costume, não voltar. Acordem!

Retornem à Luz, Triunfantes e não; de Rastos e Submissos.

 

Certa vez em conversa com um dos mais antigos Mestres e Valoroso Guerreiro, disse-lhe da minha preocupação referente à Missão que cumpro, se eu corresponderia ao que de mim esperavam. Em resposta, obtive as seguintes palavras:

“Empenhei Minha Existência na tua Vitória.” “E não somente Eu, o Fiz. Milhões de Individualidades, também.”

Abismada, perguntei: “Como Atuaram assim? Estou na matéria e poderia fracassar.”

Ele sorriu e respondeu: “Um Guerreiro conhece a outro pela maneira de segurar a 'espada'.” “Deitei uma no chão.” “Você saiu à procura, encontrou, levantou-a, e sem temer, saiu levando as Verdades e guerreando contra consciências e Energias danificadas.”

Não cito por orgulho, mas pela frase que considero linda!

 

Aproveito e transcreverei, uma, dentre as tantas manifestações cósmicas que possuo.

 


 

MENSAGEM.
Adaptada.

 

22/06/1981.
O ser humano tem a propriedade de abrir ou fechar olhos e ouvidos para as besteiras que ele mesmo criou. A vida material que consideram de extrema importância, somente será, uma vez que ao conhecerem as Verdades e Leis Universais, não as menoscabem.

Quando as vidas são mal conduzidas, o núcleo Terra deixa de ter significado para o Universo.

Nunca com mentalidades medíocres, entenderão a grandiosidade do Universo, a Força do cosmo, a Vida, e a amplitude do Verdadeiro significado da expressão: Amor.

Falam de amor, sem nada entenderem. Chamam de amor; querer ao sexo oposto, aos pais, filhos, animais e infindáveis objetos materiais. Isso não é Amor! O Amor não tem limitações, não se atém a nomes ou nada similar à matéria.

 

O chamado ser humano pode querer a alguém, mas está distante milhões de Anos-Luz, de sentir como sente o Amor. Vocês desconhecem por que estão vivos, respiram, e menos o motivo de Estarmos e estarem aqui. Não poucos negam e muitos mais rejeitarão o que lhes foi permitido saber. Advirto que ante tal procedimento, estarão negando suas Existências, Passado e Futuro.

 

O Centro-Luz, -Pai- Vibra Ao Enviar Seus Mensageiros que entregam a vocês, a oportunidade de encostarem insignificâncias e passarem a ser Olhados como Energias de Importância para o Universo. O humanóide não é Visto da maneira como acredita e por própria culpa.

Visualizar-nos? Não podem, mas a vocês Podemos, como também, Escutar as besteiras que falam, discutem e menos se entendem. Chegou à hora de pensar e compreender que sofrimentos passados devem ficar como experiências e arquivados, servidores de exemplos negativos. Se levarem as Respostas aos amigos ou a quem desejarem, se os “ouvidos” aceitarem, tudo bem. Caso contrário, ficarão amontoados como lixo que mostrarão ser. E isso, é o que o Amor e Nós, tentamos impedir. Não viemos perder tempo ou falar à-toa. Deslocamo-nos de galáxias e Universos gigantescos para entregar a quem de direito e ao aguardo de que a consciência física não rejeitasse os Altos Conhecimentos Universais. Ela os acolheu. E vocês?

Este mundo está às avessas. O de Real Valor é depreciado e o que não presta, passa a ser aplaudido e considerado. Portanto, de nada adiantará precaução, quando se unirem em pactos destrutivos.

 



Estou anexando duas decisões contidas no livro anterior, para que os leitores definam qual a considerada como apropriada para si.

Ocorrendo que “despertes” e te reconheças como Oriundo da Luz, ergue-te, eleve teus braços em direção ao firmamento, pronunciando em voz alta:

Meu Pai! Aqui estou. Vim de Ti, e não por Tua culpa estive desorientado (a). Mas chegaste! Por fim chegaste e Contigo Teus Mensageiros. Eu Te agradeço e peço que Tua Luz percorra minha Energia, para que ao Final da Noite Evolutiva Universal, seja merecedor (a) de estar Frente A Ti, não rastejante, mas Vitorioso (a).

Não fui Gerado (a) pelo pó, portanto, ao pó, jamais Irei. Nego e amaldiçôo as Trevas.

Assina e aclara teu nome completo, não esquecendo a data, horário e planeta no qual está se manifestando.

 

 

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Caso mantenhas negação às Verdades e confirmas estar conivente com as aberrações cometidas neste planeta-laboratório, será teu livre arbítrio.

Assim sendo, mencione teu nome em voz alta e assine abaixo, para que fique Registrado por Todo o Sempre, que desejas seguir inconsciente e expandir o exército das Trevas.

Ao Final da Noite Evolutiva Universal, Estarás ao Lado dos Negadores da Luz.

Assina e aclara teu nome completo, data etc.

 

 

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Observação.
Diante da impossibilidade de assinatura direta por esta via, escolhe a opção e estenda os braços para o alto, formulando e sentindo as palavras transcritas.

 

 


 

O TURISMO.

 

Aos leitores solicito rigorosa atenção às palavras em negrito, pois será precípuo na seqüência dos acontecimentos a serem narrados.

Um pequeno grupo de conhecidos, após a leitura do livro onde aproveito descrever entusiasticamente sobre a exuberância do firmamento, peixes, matas e rios da transamazônica, propõe-me um passeio turístico por aquelas paragens. Acedi e viajamos, levando também meu filhinho. Chegamos à tardezinha.

Ao cair da noite fui ao encontro de Darcilio, pois em tempo algum que por Altamira eu passasse, jamais evitaria falar com ele por não lhe guardar rancor ou inimizade.

Frase oportuna que ouvi, e acresço entre traços: “Nenhum homem -ou quem seja- me fará descer tão baixo, a ponto de odiá-lo.”

Também, extremamente chamativa seria minha presença e a de visitantes, uma vez que todo o povoado saberia, salvo fôssemos invisíveis. Trocamos algumas palavras. Mostrando-se gentil ofereceu-nos seu carro que aceitamos e pouco foi utilizado, uma vez que Altamira não oferecia distância para passeios.

Ao dia seguinte mantive um diálogo (frente aos demais que me acompanhavam) com pessoa idônea e originária de lá, que comentou abertamente e transcrevo pequenos e exatos trechos:

“Seu (não meu) Darcilio nunca mais foi o que ele era quando a senhora estava aqui.”

“Ele só pagava direito os empregados quando a senhora estava aqui.”

“Um dia ele levou uma surra do homem do caminhão que queria receber o dinheiro que seu Darcilio não queria pagar.”

“Todo mundo sabe que ele ainda espera que a senhora volte pra ele.”

Por outro lado, fui procurada por um trabalhador de origem humilde, que em desespero mostrou-me uns documentos e pedia que eu intercedesse a seu favor, uma vez que Darcilio tempos atrás lhe havia concedido um empréstimo de Cr$100,00 (moeda da época), recebendo como garantia, um cheque. Darcilio combinara aguardar ser retirado no tempo marcado, indo fazê-lo com antecipação.

Não havendo fundos, recorreu à lei que a executou, desapropriando a família da casa que possuía e entregando-a para Darcilio.

Lastimosa, expliquei nada poder fazer, uma vez que estávamos definitivamente separados.

Junto aos visitantes, no dia seguinte percorremos o rio Xingu, onde alguns dos que comigo viajaram, se deliciaram num refrescante banho. Ao segundo dia, não suportando o calor e insetos que pululavam, regressamos. Na realidade, não havia mais o que apreciar.

 

O DISSOCIO.

 

Finais de 1986.
Devido a divergências entre eu e Querido, as Individualidades concordaram com a separação a que me aferrara. Calo os motivos, deixando nítido não haver sido por qualquer agravo da minha parte.

Havíamos adquirido uma bonita casa num bairro nobre da cidade. Ele ajudou na mudança, partindo depois para seu país.

O irremediável afastamento deu-se entre choros, abraços, muita angústia e fazia relembrar um passado que o presente mostrava conhecida repetição, mas diversificável nas razões. Querido se foi entrecortando as lágrimas e deixando atrás meu desespero. Mas, o que não tem remédio, remediado está.

A nova residência, além de meu filhinho, acolhia também duas moças que eu considerava filhas. Para não usar das minhas economias, uma delas foi trabalhar fora enquanto que a outra, boa costureira, confeccionava roupas sob medida, conquistando freguesas. Quando possível eu ajudava nas costuras e ela a mim, nos afazeres domésticos. Querido e eu, vez por outra nos falávamos por telefone.

Uma noite, cerca das 23h estamos costurando e soa o telefone. Preocupadas pelo tardio daquele chamado, vou atender e escuto a voz clara de homem, que ameaçador diz: “Estou indo aí com uma metralhadora para te matar.” Em pânico telefono para Querido e conto por alto o acontecido, dizendo que partiria de carro imediatamente para lá, acompanhada de uma das moças. Peço que venha encontrar-nos pelo caminho, ficando assim combinado. Eu tinha uma leve idéia do trajeto. Aprendera a dirigir, mas não o fazia. O temor era grande e o tempo curto para se perder buscando mapas. A única tranqüilidade naqueles momentos, foi que a ameaça era dirigida unicamente a mim. E viajamos atravessando a fronteira e enfrentando fortes chuvas, ventos, raios e trovoadas, onde mal conseguíamos divisar as estradas. Eu tremia como vara verde, mas agarrada ao Pai e ao volante, seguia confiante. Erramos o caminho não poucas vezes, e de cá para lá, avistamos ao longe um carro que prendia os faróis como aviso de alerta e reconhecimento.

... conto por alto o acontecido e prosseguimos a viagem até Buenos Aires.

... Voltar a viver com ele, eu não voltaria. Querido então, colocou-se para estar presente, sempre, aonde e quando dele, eu precisasse. Despedimo-nos amigavelmente.

... Nossas vidas transcorriam ocupadas com os afazeres, quando resolvi tornar a Buenos Aires para visitar meus amigos. Todos estavam cientes dos reais motivos da separação e optaram ficar ao meu lado.

Com os cursos ministrados, outras mentes abertas se aproximaram.

Nas vezes em que estive naquele país após o rompimento da união, fui convidada a transmitir os Conhecimentos, o que fiz em palestras e entrevistas a alguns dos jornais e televisões.

Dentre os novos participantes estava um jovem que eu vira presenciando uma das ministrada por Querido e, que freqüentava vez por outra as reuniões feitas pelo grupo que crescia lento, porém vicejante. O jovem já estivera no Brasil em visita a mim, junto aos demais amigos.

... Informo que regressaria à Londrina. Ao amanhecer vejo valises desconhecidas, que me diz a dona da casa, pertencer ao jovem que optara me acompanhar. Ele chega apressado e lhe afirmo ser desnecessário interromper seu emprego. Responde que estava de férias e poderia ser útil. Vendo outros olhos verdes que brilhavam na expectativa do consentimento, sorri e concordei.

 


 

 

E O DESTINO TRAÇOU!
José Alfredo Teruggi.
Um segundo paranormal.

Durante o regresso, não entendia o porquê de me sentir envolvida por uma alegria interna de segurança e proteção.

Era inverno e o frio naquele país é de congelar até pensamentos, então, os meus deveriam estar assim.

Um sábado, ele, eu e uma das “filhas” fomos a um pequeno bar dançante. Ainda pensativa nos recentes acontecimentos da separação, lutava por olvidá-los.

José, por mais que o incentivasse mostrando as lindas garotas, não se animava a bailar. Eu sabia que era “travesso“ com as moças, mas ali, mostrava-se neutral! De soslaio, olhava para ele que seguia indiferente para o que acontecia ao redor. Em dado momento tomo das suas mãos e pergunto se algo o preocupava. Sem me fitar responde estar bem e assovia a melodia tocada. Na próxima, convida minha “filha” para dançar. Observando-os me vem à idéia que poderiam casar. Acreditei que uma ajuda iria bem.

Alguns dias depois toco ligeiramente no assunto com ele que se retrai, dizendo que gostava dela como se fora sua irmã e nada mais. Insinuo que talvez estivesse pendendo para a outra. Tampouco acertei.

A bela tarde se recostava para adormecer, quando fomos de carro visitar uns conhecidos que trabalhavam numa Fazenda. Nas proximidades do bairro onde vivíamos (e vivo), outro era comentado pelas bonitas residências que estavam sendo construídas. Antes de rumar para casa resolvemos conhecê-lo. Demos umas voltas e o carro enguiçou. José o deixa funcionando e volta a sentar-se a meu lado, enquanto limpava as mãos. Olhamo-nos e; em frações de segundos como se houvéssemos combinado, houve uma aproximação inexplicável (naquele então) e um suave roçar de lábios, aconteceu entre nós!

De imediato retomo a direção e regressamos para casa, ambos no silêncio dos pensamentos, onde os meus, eram na indagação de como tivera tal comportamento aleatório, principalmente para com quem eu sentia o mesmo que a um filho. Quis entender e não consegui. Uma vez mais, senti na vergonha, uma fiel companheira.

... dias e dias passaram, quando “confessa” estar enamorado e me propõe casar-nos! Surpreendida pelo imprevisto pensei: Será possível? Não pode ser que esses argentinos sejam todos loucos. Recém me separei e ele sabe que sigo Amando ao Querido. E a diferença de idade? (Eu 55 e ele 33 anos). Respondo que decidiria depois.

... falaria a respeito com os demais “filhos.” Na verdade, todo o grupo mantinha empenho a que me casasse o mais breve possível, para que findasse a tristeza que eu sentia.

... Teruggi (sobrenome que assim o designava) me seguia pela casa, enquanto eu arrumava as cortinas, cadeiras e bibelôs, sem que estivessem fora dos lugares, meditativa sobre qual atitude correta para um momento igualmente a outros, nada singular.

... sem mais delongas pego sua mão e o conduzo em direção ao meu quarto, apontando um dos lados da cama onde se acostaria, e outro banheiro em separado do meu, que poderia utilizar.

... pede licença. Com naturalidade despe parte das suas roupas e deita-se ao meu lado. Tapada até o pescoço, eu tremia.

... instruo que entrelace sua mão a minha, deixasse a mente em branco e não falasse. Era uma tentativa que intuí e confiava na resultante do fato desesperadamente almejado, que era novamente poder falar com as Individualidades. Mãos dadas, total silêncio e com firmeza, pedimos à Luz que Retornasse através da matéria daquele disposto “filho.” Os minutos pareciam arrastar-se e a ansiedade era nossa cúmplice. Não muito depois, Teruggi grita e vejo sua matéria elevando-se horizontalmente, a uma altura impossível ser conseguida de forma natural.

Eu e meu latejante coração entramos em aforismo, enquanto Teruggi seguia esbaforido, aos gritos, tendo seu corpo erguendo-se e voltando a cair. Eu o estimulava a continuar no intento pedindo que tivesse calma, e assegurando que nosso objetivo se concretizaria. Aos poucos ele voltou a quase normalidade. Trocamos informações do que vi e ele sentira. Exultante e entre lágrimas, confirmamos a proximidade das Individualidades.

Abafo meu pranto apoiando o rosto sobre o travesseiro, quando sinto os braços de Teruggi sobre meus ombros e beijos cobrindo meus cabelos. Viro-me e vejo que ele também chorava emocionado. Abraçamo-nos naquela alegria compartida.

O dia despontava e adormecemos embalados pelas emoções e imprevistos felizes. Contamos aos “filhos“ a novidade e o júbilo foi geral.

Chega à noite, e novamente tentamos a Incorporação que eu pressentia estar próxima. Mas, não deixava de pensar que outra vez, o passado abria suas portas para circunstâncias que levaram a entregar-me sem Amar. Surpreendentemente, meu Amor despertou inopinadamente.

 

 

A TRANSITÓRIA INCORPORAÇÃO.

 

28/11/1987.
As semanas corriam e persistíamos nas tentativas, em horários independentes. Sua matéria se desequilibrava e eu a amparava.

Desde o principio das Incorporações através de Querido, nunca foram precisos rezas, velas ou incensos. O único que nos pediram foi que mantivéssemos as mentes em branco e nos concentrássemos na Luz.
Teruggi me chamava carinhosamente por “Bichita” (Pronuncia-se Bitchita) e eu a ele: “Mi Amor.”

... sentados ao sofá da sala estamos conversando, quando ao virar para o lado, digo: “Mi Amor, sabes que...” e uma voz de timbre diferenciado e muito conhecido, diz não ser o Amor que costumava acolher-me em seus braços para que eu adormecesse. Coração aos saltos, olho e percebo que está sorrindo para mim. Choro convulsivamente e o abraço agradecida por haver-se manifestado, dizimando a angustiante espera. Em seguida apelo aos “filhos” pedindo que tragam um gravador, visto que, invariavelmente, eu gravava ou filmava até o menor dos respirares daqueles Seres Amados. A Individualidade pede-me calma, que não me preocupasse e que muito em breve retornaria para falar comigo. Manifesta-me seu Amor e imperceptível como chegou, deixou a matéria.

Teruggi volta a si e a alegria foi esfuziante. Falávamos ao mesmo tempo enquanto que as lágrimas percorriam nossos rostos felizes.

Não tardei em telefonar para nossos amigos e os aplausos se fizeram ouvir. Espalhada a notícia para o grupo que crescia e se mantinha firme, a exultação foi uníssona.

 


 

A INCORPORAÇÃO.

 

14/09/1988.
Desde a primeira Incorporação através de Roberto, as Individualidades nos ensinaram um gesto reverencioso como saudação, que passamos a utilizar a cada manifestação.

Presenciando que Teruggi estava por receber Meus Amigos cósmicos, lacrimejante de felicidade e fazendo a reverência; pronunciei:

CHEGASTE! POR FIM CHEGASTE!
EU TE AGRADEÇO E REVERENCIO: GLORIA A TI MEU PAI, POR QUE FOSTE, ÉS E SEMPRE SERÁS, A ESPERANÇA DE TODOS OS QUE CONFIAM EM TI.
A Individualidade que ouvia e aguardava com igual respeito, profere:
GLORIA ÀQUELA QUE FOI, É, E SEMPRE SERÁ
MINHA FILHA DILETA E AMADA, ÚLTIMA ESPERANÇA
DE TODOS OS QUE BUSCAM INCANSAVELMENTE:
A VERDADE!

 

Indescritíveis são os momentos vividos! O júbilo cobria nossas vidas que foram de puro encantamento.

Tenho como modus faciendi, aos amigos ou quem seja, jamais imiscuir-me em suas vidas particulares. O relevante para mim, é que mantenham a dignidade.

Passam-se os dias e percebo que Teruggi coopera com os gastos da casa sem nada dizer, como tampouco falava sobre o término das férias. Pergunto quando voltaria ao trabalho e responde-me com gargalhadas entremeadas a explicações de que havia pedido demissão, e que não me preocupasse, pois lhe sobravam meios para sustentar os compromissos. Foi então que tomei conhecimento de me unira a um fazendeiro, também estudante de medicina, faltando somente três anos para diplomar-se! Traquinas que sempre foi, se recosta no gramado em estrondosas gargalhadas do meu espanto. Jogando-me em seus braços rolamos felizes no declive do quintal.

Estávamos completamente apaixonados.

 

Assim vivíamos, quando em 28 de Setembro de 1991:

 

 


 

A MORTE APARENTE.

 

Estamos recostados sobre a cama assistindo televisão e percebo que Teruggi então adormecido, entra em grande agitação e lamentos. Acreditando tratar-se de um pesadelo e se o despertasse de súbito o levaria a um sobressalto, tento acordá-lo chamando-o várias vezes e tocando seu braço com suavidade. Finalmente consigo que volte a si.
Transpirado, relata haver sentido pânico, pois do alto conseguia ver-me e a todo o ambiente. Sentindo-se fora da matéria e pressentindo a morte, detalha haver gritado inúmeras vezes por mim a quem não queria deixar, não entendendo por que não era ouvido em seus nítidos apelos!
A explicação de fatos semelhantes está ampliada no livro primeiro.

 

GUARATUBA.

 

Paraná.
Seguíamos nossas vidas e outros amigos se anexavam. O grupinho deixara o diminutivo, passando a ser um conjunto.
Admiradores que são deste país, têm à idéia de um giro pelas praias, ficando escolhida a de Guaratuba pela transparência das águas e areias brancas que eu vira através de um documentário televisivo.
Tirando vantagem de que o período não era relativo às férias, ficou combinado que iríamos para lá. No propósito de baratear os custos, foram alugadas modestas casas e apartamentos, onde ficaram em separado, rapazes e moças, enquanto que, Teruggi, eu e meu filho nos hospedamos em um pequeno porém acolhedor hotel frente à praia.
Passamos alguns dias de verdadeiro festival compartilhado e entusiásticos gritos de alegria ao se banharem nas mornas águas que para os argentinos eram desconhecidas, dado a que no país que os originou, o mar é demasiadamente frio.
Entre jogos, comidas típicas, músicas e demais diversões sadias, retornamos à nossa casa atendendo compromissos, mas prometendo voltar em breve, pois outro grupo se preparava para vir. Os que mantinham possibilidades financeiras, permaneceram para recebê-los.

 

Observações.
Rostos foram nublados por não pertencerem à Associação: L.U.S. (Lineamiento Universal Superior)

 

Sanados os compromissos retornamos a Guaratuba.
Do Brasil, dentre as milhares de missivas recebidas, estava uma, cujo remetente dizia haver obtido o livro exposto em uma das bancas de São Paulo e solicitava maiores informações. Igualmente a todas, respondi, ficando a par de que se tratava de um jovem advogado. Passo por alto algumas ocorrências desnecessárias, aclarando contudo, que em determinada oportunidade que viajamos a São Paulo, ficou estabelecido nos encontrarmos. Assim foi que nos conhecemos.
Estamos jogando volley na praia, quando Teruggi aparece acompanhado do moço que passava por lá. Apresentado aos amigos é convidado a participar do jogo. Jovem e bem disposto, não se faz de rogado e aceita, inclusive, quando incitado a permanecer alguns dias a mais do pretendido.
Meus amigos aos que me acostumara a chamar de filhos, automaticamente modificaram o tratamento de señora, para “mamá” (leia-se mãmã). O jovem nada entendia e tampouco bisbilhotou.
Pela manhã deparo com uma funcionária do hotel, que chorosa, limpava o salão de refeições. Ao ver-me passar, pergunta se eu sabia ler a sorte, fato comum aqui no Brasil. Respondi que não, indagando no que poderia ajudá-la. Conta que seu filho de sete ou oito anos, -não recordo exatamente a idade, mas sim que, ANTERIOR à nossa chegada- havia desaparecido.
Ante minha indagação sobre a possibilidade de haver-se afogado no mar, nega e complementa: “Foi criado aqui e nada muito bem.”
Pergunto o nome e características do menino, obviamente, POR JAMAIS HAVÊ-LO VISTO! Responde chamar-se Leandro e ser loirinho. Tranqüilizo-a com afeto e dando-lhe esperanças, digo que comunicaria a meus amigos e qualquer notícia que obtivéssemos, ela seria avisada de imediato. Esta, foi a exata conversa que mantivemos. Disposta a ajudá-la, me afasto, pensativa em como prestar auxílio àquela angustiada mãe.
Os comentários corriam de que o menino fora visto por última vez assistindo a um show na praia e, levado dali por um homem, que descreviam. Outros, afirmavam havê-lo divisado na garupa de uma bicicleta dirigida por um tipo. Assim, naquele falatório, as possibilidades variavam.

Não raras vezes notamos homens parados nas esquinas ou proximidades, nos observando. Em nada nos preocupou, dado a que conformávamos um grupo cuja maioria era de estrangeiros, o que fora de época poderia ser chamativo. O que jamais imaginamos, foi que na calada das perversidades, polutos nos espreitavam com premeditados embustes.

Chegado o momento de retornarmos ao lar, deixamos ajustado que brevemente iríamos à Argentina para reunir-nos aos que não participaram e contar acerca do que havíamos vivido.
Em princípios de julho estamos nos preparando para viajar, quando me horrorizo ao ver pela televisão um homem confessando sobre um crime praticado por ele e outros, num ritual macabro, no qual sacrificaram um menino. Onde? Em Guaratuba.
Atônita, mal conseguia acreditar no que ouvia! Não suportando escutar até o final, fui ao encontro de Teruggi e meus “filhos” que estavam presentes, para comentar sobre aquele fato sinistro. Voltei meu pensamento para aquela pobre mãe, acreditando haver sido seu filhinho, a indefesa vítima. Bem depois, soubemos tratar-se de outro garotinho.
A multimídia se ocupava do assunto e divulgação da barbárie, mais ainda, por serem os demais acusados, a esposa, a filha do prefeito da época e parece-me que outros mais. Na seqüência das difusões sensacionalistas, o motivo que os levaram a tamanha hediondez, fora na finalidade de obter para o prefeito, um poder de maior escala. Os implicados na denúncia já estavam presos e o prefeito, foragido. Enquanto corriam notícias a respeito, viajamos meu marido, eu e “nosso” filho, para Argentina, ficando em casa meus “familiares” e um terceiro para fazer-lhes companhia. Em lá chegando menciono o assistido pela televisão. A estupefação foi geral!

 

Nota.
Na tentativa de suavizar minhas dolorosas lembranças, possivelmente em alguns dos capítulos eu passe a dissertar como expectadora de uma película de terror!

 

 


 

O DESCALABRO.

14/07/1992.
Uma tarde estou com meu marido no Shopping, quando chegam dois amigos que chamam Teruggi em particular. Assusto-me pelas feições preocupadas mas não me aproximo. Segundos após, comunicam-me que a polícia civil invadira nossa residência e a tudo reviraram na busca de um recipiente onde derramam sangue em rituais satânicos! Nada sendo encontrado, sem a menor justificativa, levaram preso um dos meus “filhos” que lá estava. Naquele dia e momento, maquiavélicos davam inícios as suas obscenas e premeditadas manobras.

Entrei em pânico e saímos à procura de um telefone para saber o motivo das arbitrariedades. De casa, minha “filha” fala com Teruggi -que tentava deixar-me sem conhecer os fatos- e comenta por alto os acontecimentos. Agarro o telefone e contato um advogado que eu conhecia desde seus tempos de estudante, avisando de que partiríamos imediatamente para lá. Ele é categórico na afirmação de que não voltássemos, pois nossas vidas não estavam garantidas. Meu terror aumenta e me impele tornar a casa, sendo impedida por meu marido que teimava em ir sozinho. Naquele desespero entremeado com tremores, falta de ar e sentindo-me a ponto de desmaiar, Teruggi se angustia e tenta convencer-me a ir a um hospital. Resisti, considerando que seria perda de tempo. Eu mal conseguia concatenar as idéias, e mesmo assim, encontrei forças para continuar. Minha vida, a casa e tudo que ela guardava de fonte material, naquele momento em nada me preocupava e sim, o “filho” que a polícia levara! Ao final de muito conjeturarmos, embora com rebeldia, acedi em acatar as instruções do advogado.

E o tumulto se havia generalizado com entra e sai de policiais, inclusive federais e militares. Como lógica de quem é praticante ativa e zelosa da honra, a nada do supostamente existente, foi encontrado.

Atribulada e ignorante do que gerara aquela confusão, peço ao advogado que interceda em favor do “filho” e que permaneça em casa, enquanto decidíamos o que fazer. Insistíamos em voltar, mas os “filhos” que de telefonema em telefonemas e a par de detalhes, intercederam, pois a cidade estava em polvorosa com mexericos e publicações invectivas contra nós. Aos poucos -receosos pela minha saúde abalada- me tornam ciente de que ...

 

O PADRE, A BARATA-DE-SACRISTIA E CUPINCHAS.  

Da igreja próxima, o padre que a liderava, uma barata-de-igreja e demais seguidores, organizaram e levaram à prática uma passeata frente à residência onde se fixara a felicidade. A corja correligionária foi incentivada sem grande esforço e compareceu, cada qual mostrando suas “vestes” cristãs. Enfurecidos e aos berros, protestavam em acusações:

MALDITOS ASSASSINOS! BRUXOS DESGRAÇADOS!

Assim foi, que os religiosos (?) clamavam por nossas mortes, inclusive, arremessando bombas caseiras que por pouco não incendeiam a casa e pior, desprezando o pânico e apelos por socorro, oriundo dos moradores.

Fosse pouco, apareceu um alucinado residente nas vizinhanças, que sem dar importância a quem atingiria, disparou inúmeros tiros na direção da casa, estilhaçando vidros das janelas, paredes e perfurando peças do mobiliário que conservei como prova do atentado.

Toda aquela exaltação estará em concordância com os 10 Mandamentos do catolicismo? Não vestindo batina nem sendo de mau-pensar, coloco a hipótese de que tenham mudado os “estatutos” e estou desinformada. Soube depois, que o padre foi transferido e a “santa barata” sumiu!

Regredindo ao tema.
Teruggi que não ficara abandonado das Incorporações, em dado momento recebe um dos Seres que me acolhe carinhosamente, pedindo que me tranqüilize e mantenha confiança Neles. Para que os leitores possam compreender a extensão do que me foi dito diante dos amigos, teriam que haver participado nada menos de onze anos das Revelações, como aconteceu com os presentes.

E a polícia civil carregou milhares de missivas que eu guardava com carinho, dezenas de fotos tanto nossas quanto do grupo, vídeos onde ficavam gravadas as Incorporações e atentem: Uma roupa da minha minúscula cachorrinha e, um pedaço de pano manchado de tinta vermelha que Teruggi empregara para desfazer um risco na moto! Com desfaçatez, ao dia seguinte, via televisão e jornalística em lançamento factóide, fizeram crer tratar-se de veste e sangue de uma criança. Naquele caos, minha “filha,” advertida pelo advogado que retirasse da casa o que pudesse ser mal-interpretado, coloca no guarda-malas da rodoviária, uma valise com quatro ou cinco capas coloridas e capuzes que confeccionara às escondidas, pois o grupo preparava uma obra teatral (embate da Luz versus Trevas) como surpresa para mim. Diante da balbúrdia, um funcionário avisa a polícia sobre a guarda da maleta, que dispararam a retirá-la.

Meditativa, acredito que o mais criativo dos gênios, dificilmente conseguiria de ímpeto, escandalizar um fato simples de ser explicado, o que à mídia... não interessou. Assim, abriram publicidade a dezenas de nossas fotos agregadas a epítetos escandalosos.

Manchetes sensacionalistas, ABSOLUTAMENTE FALSAS E PUTREFATAS COMO AS MENTES DOS QUE AS IDEALIZARAM, garantiam “serviço cumprido” e rendiam o cobiçado metal para os jornais, revistas e aos diabólicos que a tudo maquinaram.

Por outro lado, policiais encapuzados e portando armas de vários tipos foram fotografados, sendo atribuído a nós, todo aquele aparato.

É propícia a frase de Jesus:
“Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.”
Evangelho segundo S.João. Cap. 8. Vers. 44

Percebam que Jesus não Se referiu a: meu pai, e sim: vosso pai.

 

 


 

AFLIÇÃO.

 

Desolada meio a desesperante situação, meu pensamento voltou-se para Maria Hercilia, acreditando que viria sem detença em apoio a sua mãe. Atingida pelas diversificadas emoções, afligia-me como enfrentaria as notícias difamatórias e mais, as conseqüências que sofreria perante as alunas, familiares e a sociedade que freqüentava. Em prantos, clamava silenciosamente por ela, ansiando vê-la chegar. Sua presença amenizaria minha dor e mostraria seu amor por quem bem conhece e sabe incapaz de atos execráveis.

Naqueles longos dias, Teruggi e meus leais amigos eram os braços nos quais me amparava, e não regateavam palavras confortadoras, dizendo que Maria Hercilia chegaria. Porém, minhas esperanças se esvaíram. “Hoje,” os motivos quais ela tenta justificar sua ausência, por Amor e compreensão em mim existente...

 

 

 

 


 

LINEAMENTO UNIVERSAL SUPERIOR.
L.U.S.
Website: www.lus.org.ar

1987.
Para melhor identificação, Querido sugeriu ao grupo a denominação Lineamento Universal Superior e registro de acordo com as leis vigentes do país. Após meses, portando a vasta documentação exigida ficou denominada: Associação Civil Sem Fins Lucrativos, e devidamente reconhecida pelo Governo argentino.

“A injustiça feita a um, é ameaça feita a todos!”
Barão de Montesquieu. (1689-1755).

E a mídia fez o maior dos escândalos, diretamente nos atribuindo as bestialidades cometidas em Guaratuba!

Nossas imagens foram estampadas em trajes de banho na praia, nas reuniões com o grupo (Argentina) e todas as que imaginem ou não, publicaram com textos chamativos e indébitos. O pânico aumentava entre nós, desconforme com as falcatruas que impiedosamente se agigantavam. Fosse “pouco,” miseráveis concordantes das infâmias, calunias e difamações, idealizaram uma alcunha: SEITA SATÂNICA.

Tal epíteto nominal aninhado às perversidades publicadas, recrudesceram ainda mais, quando em um dos vídeos onde converso com a Individualidade que se faz de criança, entre risos, discordo dizendo que de criança Ele não tinha nada, pois era um Sábio. A Individualidade pronuncia então, clara e perfeitamente:

“É... mas tem ‘criancinhas’ que são experientes!”

Em diferença gritante, -segundo a medicina, sofredores do mal de estesiomania- deturpam a frase, divulgando despudoradamente que foi dito: “Matem a criancinha que eu lhes pedi”

(Laudo pericial abaixo).

O estopim provocou tal explosão, que uma juíza mediante “informes” de um delegado, decreta ordem de prisão para Valentina de Andrade, atingindo de cheio; o “alvo apontado.”

Ainda mais estarrecidos e não sabendo a que advogado recorrer, Teruggi recorda do jovem e lhe telefona. O rapaz comenta nada entender daquelas barbaridades e que também fora envolvido na trama urdida (não tardou em provar sua inocência e deixaram-no em paz). Aconselha então a procurar um criminalista seu conhecido e residente em Curitiba, uma vez que o mandado de prisão partira de Guaratuba (proximidades de).

Impossibilitados de regressar ao Brasil, amigos viajaram e o contrataram, como também a um especialista em peritagem, para provar que o vídeo em questão discordava no absoluto, do publicado.

Impossível descrever as violências sofridas contra nossas honras e direitos, que velhacos nos impuseram. Incontáveis os conflitos familiares, perdas de trabalho, enfartos, depressões, seqüelas, discriminações e traumas que atingiram além do imaginável, a meu filho, marido, eu e os que nos acompanhavam, não se falando de inumeráveis outras situações decorrentes das patifarias montadas.

O tempo, mui aceleradamente, vem mostrando aos estrategistas que cavalgaram na própria e suprema selvageria, como vão engolindo seus ascos, inclusive o tradutor de então da revista Veja, que taxou os Altos Conhecimentos Universais, de baboseiras. Estás comprovando que as baboseiras são únicas e exclusivamente tuas?

Aclarações relativas ao texto:
1- T= Teruggi Incorporado.
2- V= Valentina.
3- V= ah, ah... Concordância.


 

Existem também, pontos de fundamental importância a serem analisados: Falavam, gritavam e esperneavam defendendo (o que plenamente concordo), os Direitos infantis. Entretanto, não passaram de estereótipos atirados aos ventos. Sim, pois os malefícios que ocasionavam a meu filho, menor de idade e que padecia todo aquele horror, ficaram de lado, mostrando o relapso e “inconscientes” que são, das conseqüências.

Não pensaram que ele estudava e segundo seu boletim que não deixaram para trás, era um dos melhores alunos e de excelente comportamento, confirmado pelas professoras onde correram na finalidade de investigar. Investigar o que? Desconhecem que a puberdade requer maiores cuidados nos caminhos a serem transitados, evitando assim, afetar seu futuro? “Esqueceram” que meu filho seria obrigado a deixar os estudos, para não ser apontado como “filho de uma assassina?” Tampouco levaram em conta que ele não entenderia ao ver sua mãe acusada de atrocidades, tendo suas fotos escancaradas por todos os lados acompanhadas de legendas incompatíveis à dignidade bem conhecida, e pivô de tamanho escândalo? “Olvidaram” que poderiam levá-lo a traumas e seqüelas por toda a vida? Não! Não “lembraram,” porque o filho não é de vocês. E se evito comentar outros fatos, é para evadir derrame de novas lágrimas, ao relembrar. A tudo vocês ignoraram propositalmente, pensando somente nas negociatas que rendiam aquele labéu de palavras sangrentas malevolamente arremessadas sem um mínimo de provas, e cônscios dos absurdos praticados. Tais “insignificâncias,” foram invalidadas!

Agora, quem aproveita o linguajar e eleva a voz, sou eu, mãe indignada:

CADÊ OS DIREITOS DAS CRIANÇAS?

ONDE OCULTOU-SE O RESPEITO DEVIDO E OBRIGATÓRIO, TÃO PROPALADO E UTILIZADO INCLUSIVE, NAS CAMPANHAS ELEITOREIRAS? QUAL O CÁRCERE AO QUE MANIATARAM E AMORDAÇARAM OS DEFENSORES QUE NÃO SE MANIFESTARAM A FAVOR DE MEU FILHO? QUEM OU O QUÊ; OS SUBMETEU À CONDIÇÃO DE SURDOS-MUDOS?

Até este momento, (04/09/2010) sequer UMA das respostas; se fez presente.

 

E os advogados se puseram em ação, conseguindo revogar o mandado, seguindo de imediato à Argentina onde me entregaram o salvo-conduto. Mesmo assim, não respirávamos aliviados, pois antes de regressarmos deveríamos estar munidos de incontestáveis provas de que o vídeo era contrapropaganda às palavras anunciadas.

O perito, auxiliado pelos nossos amigos, fez um trabalho estupendo que tardou dias e horas ininterruptas. O laudo impugna a “célebre“ frase divulgada, evidenciando não passar de uma tremenda farsa da polícia. Mas esta cortina tampouco foi descerrada. As funestas consciências calaram, por não beneficiar à vendagem da desgraça alheia, injusta e imposta por facínoras. Resultou-lhes melhor, seguir coadunados na “transação comercial,” em ferrenha disputa do troféu que garantiria o primeiro lugar ao mais diabólico repórter.

Para invalidar um erro, seja ele qual for, é essencial não ser relapso e sim digno. Assim o fez, a juíza, Dra. Anésia Edith Kowalski, que ao tomar conhecimento do embuste e não se submetendo às pressões sofridas, declarou a um jornal da Argentina, considerado de relevante tiragem:

haver sido enganada por pistas falsas recebidas da polícia, e que Valentina de Andrade tinha o direito de andar livremente” [sic]. Destarte, revogou o mandado de prisão.

 

ESPECIAL PARA A JUÍZA, DRA. KOWALSKI.

 

Jamais, em nenhum segundo eu a menosprezei, sequer em pensamento. A par do pedido de prisão, o que fiz foi chorar amargamente, mas compreensiva que diante daquela degeneração mórbida, a senhora não tinha outro caminho a seguir, mesmo porque, acreditou em quem deveria merecer crédito e que não tardou em ver-se desacreditado. Não esquecer que a perversidade ronda solta em busca dos dignos.

A senhora provou sua dignidade ao retroceder publicamente no engodo ao qual, por momentos a mantiveram. Se estas palavras chegarem ao seu conhecimento, creia na sinceridade com que foram expressadas.

Receba meus respeitos.

 

RETORNO AO BRASIL.

 

Meu filho, Teruggi e eu viajamos de carro. Seguia-nos uma comitiva constituída do perito, um dos fieis amigos e uma moça a quem eu considerava “filha”.

 

Próximo capítulo:

 

CONCORDIA.

Argentina.

Actualizado: Sábado, 04 de Setembro de 2010 17:51
 
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